Economia
‘Em linha’ com Campos Neto, Loyola defende “juros altos por tempo prolongado”
Para ex-presidente do BC, ‘aperto monetário’ limitará a 1,5%, avanço da economia em 2024
‘Em coro’ à declaração, da véspera, de seu sucessor no comando monetário do país, Roberto Campos Neto, o ex-presidente do Banco Central (BC), economista e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, defendeu a necessidade de os juros locais continuarem altos ‘por um período prolongado’, tanto no país, quanto no mundo.
Para Loyola, o ‘alívio’ exibido pelos índices inflacionários mais recentes não justificaria ‘retirar os juros do patamar elevado atual’, questão que tem sido objeto de preocupação entre os clientes da Tendências, cuja projeção é de que o IPCA atinja 5% este ano e 3,5% no seguinte, em ambos os casos, bem além do centro das respectivas metas de inflação, de 3,25% e 3%, fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No que toca à taxa básica de juros (Selic), a estimativa da consultoria é de que esta encerre 2024 em 9% ao ano.
Em palestra proferida durante o evento “A Perspectiva da Economia Brasileira”, promovido pelo site InfoMoney, o ex-chefe do BC revelou que a previsão da consultoria Tendências é de um crescimento do PIB nacional, de 2,6% para este ano e de 1,5%, no próximo. Como explicação para o ‘freio’ acentuado na atividade econômica, o ex-presidente da autoridade monetária avalia que, “apesar do ciclo de queda dos juros, a economia ainda sofre os efeitos de uma política monetária restritiva, cujos efeitos têm uma defasagem, sem contar o fato de que a contribuição do setor agrícola para a economia deverá ser mais reduzida.
Crescimento adicional – Ao mesmo tempo, o economista entende que, uma vez aprovada a proposta de reforma tributária pelo Congresso Nacional, a medida poderá implicar um crescimento econômico adicional acumulado de 4% nos próximos dez anos. “É uma oportunidade que o Brasil tem de aumentar sua taxa de crescimento, por meio de uma melhora da produtividade, na medida em que o sistema tributário pode ficar menos distorcido e o custo de observância das regras tributárias pode cair”, argumenta.
Sobre o contexto político, Loyola entende que este se apresenta ‘menos negativo do que se temia’. “Vemos que, nos primeiros meses do governo Lula, algumas pautas consideradas negativas – como o retrocesso em agendas como a reforma trabalhista ou marco do saneamento – têm sido barradas pelo Congresso, que tem uma composição ideológica muito mais à direita que o governo, pelo próprio mercado e pelas questões regulatórias”, assinala, ao considerar um ‘sinal muito bom’, em matéria de política monetária, a continuidade da meta de inflação em 3% e a manutenção da autonomia do Banco Central.
Ao mesmo tempo, o ex-presidente do BC observa que, ainda, há riscos pelo caminho fiscal. “Há uma tendência de crescimento da relação dívida/PIB nos próximos anos, o que é uma preocupação, mas pelo menos o arcabouço fiscal afastou o risco de uma crise. Não se vai resolver o problema estrutural só com aumento de impostos”, acentua, ao admitir o receio de que a substituição Campos Neto abra espaço para um “nome mais condescendente com a inflação, o que afetaria as expectativas”.
Ante à perspectiva de ‘desaceleração econômica global’, Loyola trabalha com uma previsão de crescimento mais ‘acanhado’ da economia nacional este ano e em 2024, como no planeta, tendo em vista a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva. Neste aspecto, o economista não descarta a possibilidade de os Estados Unidos (maior economia do planeta) mergulharem em novo processo recessivo.
A tendência de continuidade do ‘aperto monetário’ em nível mundial, mesmo ante um recuo da inflação, segundo ele, “é uma realidade também para os bancos centrais de outros países, em especial dos Estados Unidos”, ao admitir a possibilidade de que, no caso do Federal Reserve (Fed) – o bc ianque – os juros não voltem a subir, mas vão permanecer elevados por um período mais longo, só voltando a cair em meados de 2024, ainda que gradualmente, sem retroceder aos níveis pré-pandemia. “A inflação vai exigir do Fed uma postura mais vigilante em termos de política monetária, e o mesmo deve acontecer na Europa e no Japão”, estima o ex-chefe do BC tupiniquim.

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