Economia
Cresce o número de brasileiros que pede empréstimo para apostar
Pesquisa revela dados alarmantes sobre o impacto das apostas online na economia e na vida dos brasileiros.
Recentemente, um levantamento realizado pela fintech Klavi expôs um dado inquietante: quase um terço dos brasileiros que buscaram empréstimos nos últimos doze meses também fez depósitos em casas de apostas.
Esse cenário ilustra uma tendência crescente que vem alavancando o mercado de apostas online no Brasil, especialmente entre os homens.
Em julho de 2024, cerca de 5.000 pessoas que solicitaram crédito foram analisadas. O perfil dos solicitantes é majoritariamente masculino, com 58% sendo homens, e quase metade deles (47%) tem entre 35 e 49 anos. Observa-se uma concentração significativa na região Sudeste, e grande parte desses indivíduos ganha entre um e três salários mínimos.
Essa prática de apostas online reflete uma mudança expressiva nos hábitos de consumo dos brasileiros, que têm investido parte significativa de seus rendimentos em jogos de azar.
De fevereiro a agosto de 2024, 25 milhões de brasileiros aderiram às apostas, movimento que gerou um gasto de R$ 50 bilhões em 2023, de acordo com o Banco Central.
Crescimento no número de empréstimos dos brasileiros por causa das bets – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock
Impacto financeiro e social das apostas
O levantamento revelou que muitos dos apostadores são beneficiários do programa Bolsa Família, indicando que as apostas têm um custo significativo. Em agosto, R$ 3 bilhões foram transferidos via Pix para empresas de apostas, o que evidencia a magnitude do impacto financeiro das apostas nas classes mais baixas.
Os valores gastos em apostas variam significativamente, com alguns indivíduos chegando a depositar mais de R$ 50 mil antes de recorrerem a empréstimos. A média de gastos ficou em R$ 1.113,09, mas 5% dos apostadores gastaram mais de R$ 4 mil, um dado que destaca a necessidade de regulamentação e fiscalização desse setor.
Esforços de regulamentação e desafios
Em resposta a essa realidade, o governo, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, tem avançado na regulação do setor. Recentemente, foi divulgada uma lista com 205 sites de apostas autorizados a operar no país.
Contudo, a preocupação com a saúde mental e o endividamento dos apostadores persiste. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfatizou que empresas não regulamentadas serão suspensas em breve.
Além disso, esforços estão sendo feitos para garantir que os jogadores possam solicitar reembolsos de casas de apostas não autorizadas. Medidas como o bloqueio do cartão do Bolsa Família para apostas online também estão sendo consideradas.
Impacto na economia doméstica
Além dos impactos financeiros, as apostas afetam a saúde mental dos brasileiros. Instituições como o Hospital das Clínicas em São Paulo estão sobrecarregadas, sem condições de atender a todos os casos relacionados ao vício em jogos.
A demora na regulamentação permitiu que o setor crescesse de forma desordenada, tornando a situação ainda mais complexa. Enquanto as medidas de regulamentação são implementadas, a preocupação com o bem-estar social e econômico dos brasileiros continua.
Especialistas, como Ione Amorim do Idec, alertam para a necessidade urgente de educação financeira e conscientização sobre os riscos das apostas. A responsabilidade sobre este cenário é compartilhada entre governo, empresas e sociedade em geral.

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