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Commodities

Agricultores dos EUA se beneficiam com alta no preço da soja

Avanço atípico nos preços veio tarde demais para agricultores brasileiros que já venderam parte da produção antecipadamente.

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Produtores dos Estados Unidos reuniram lucros com vendas de soja recém-colhida após os preços da oleaginosa avançarem para uma máxima de quatro anos neste outono (do Hemisfério Norte), em uma alteração de cenário positiva após perdas em função da guerra comercial entre norte-americanos e chineses.

As exportações robustas para a China, à medida que a maior vendedora de soja do mundo sai do “lockdown”, impulsionaram em parte o contrato futuro mais ativo da oleaginosa na bolsa de Chicago a um salto de 12,3% entre 1º de agosto e meados de setembro, quando a colheita acelera nos EUA.

Contudo, o avanço atípico nos preços veio tarde demais para muitos agricultores brasileiros, uma vez que eles venderam parte da produção antecipadamente a preços muito mais baixos e agora devem tentar renegociar contratos com compradores.

A safra soja do Brasil chegou ao fim antes do visto em outros anos em 2020. O país vendeu tanto para a China que, nas últimas semanas, empresas domésticas precisaram importar soja, um movimento que quase nunca ocorre no maior exportador global do produto.

Tais embarques incluíram 30 mil toneladas vindas dos EUA, um volume reduzido ante os padrões comerciais globais, mas a maior quantidade de soja norte-americana comparada pelo Brasil desde 1997.

O Brasil tirou vantagem da disputa sino-americana iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump em 2018, tendo em vista que a China passou a depender da América do Sul para quase toda sua demanda por soja. Mas agora as forças do mercado global estão finalmente ajudando os produtores norte-americanos.

Com a assinatura da “fase 1” de um acordo comercial em janeiro, a China aumentou o volume de compras de soja junto aos EUA no segundo semestre de 2020, ajudando a impulsionar o maior rali do preço da oleaginosa ao final do verão (do Hemisfério Norte) em 13 anos.

Produtores norte-americanos que esperam o início da colheita para vender sua produção, em vez de comercializá-la antecipadamente, foram bastante recompensados com vendas direto dos campos para processadoras e elevadores.

“Finalmente essa foi a coisa certa… Geralmente as melhores oportunidades para vender para o outono (boreal) ocorrem entre março e junho, mas o mundo acabou em março”, disse Jed Olbertson, agricultor de Norway Center, Dakota do Sul.

Diferença de preço

Antes de agosto, quase metade da safra brasileira de 2021 que começa a ser colhida em janeiro já havia sido vendida por produtores brasileiros, de acordo com o a Aprosoja. A discrepância de preços previstas para a colheita remetem à  temporada 2003/04, quando agricultores se recusaram a entregar grãos vendidos antecipadamente.

Grande parte dos contratos não possui garantia de que o grão será entregue, uma vez que não há pré-pagamento por parte dos compradores, disse Frederico Humberg, dono da trading AgriBrasil.

“Se os preços em Chicago e o dólar continuarem nos níveis atuais, vai ter problema. Chega a hora de colher e o produtor pode alegar que os rendimentos caíram, ou algum tipo de problema climático, na tentativa de melhorar os termos da venda feita antecipadamente”, disse Humberg.

Compradores de duas grandes empresas dos EUA com operações no Brasil disseram que também há o risco de que a entrega não ocorra. Os agricultores negociaram a soja quando a saca de 60 quilos custava cerca de 80 reais, de acordo com eles, menos da metade dos 170 reais vistos agora.

Os preços da soja no Brasil seguem de perto o mercado de Chicago, considerando também os prêmios locais nos portos e os preços do frete.

Unidades de processamento de soja e frigoríficos do Brasil, um dos principais produtores de carnes do mundo, estão enfrentando custos mais altos para a ração, o que gera inflação nos alimentos. O país chegou a modificar regras sobre a soja geneticamente modificada para permitir mais importações da oleaginosa norte-americana.

Agricultores brasileiros afirmaram que ficaram para trás no rali, mas frisaram que a venda de parte da safra com antecedência é uma forma clássica de “travar” os custos de plantio no início da safra.

“Eu sou um dos produtores mais arrependidos”, disse o agricultor Cayron Giacomelli, em Mato Grosso.

“Ninguém imaginava, nem no cenário mais otimista, que haveria preços de mais de 120 reais por saca para entrega futura neste momento do ano”, acrescentou.

Nesse meio tempo, os produtores norte-americanos, que também receberam subsídios históricos do governo neste ano, comemoram após anos de excesso de oferta e preços baixos, que os fizeram aumentar suas dívidas e obrigaram muitos a deixar a indústria.

“Talvez subisse um pouco mais (a soja), talvez não, mas eu vou pagar algumas contas”, disse o produtor Paul Anderson, em Coleharbor, Dakota do Norte.

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