Economia
Catador que foi analfabeto até os 28 anos se forma em Direito aos 46
Rônei é um dos líderes dos catadores e foi responsável por assinar um contrato de R$ 21,3 milhões, em 2013, com o BNDES.
O Palácio do Planalto fica a 28 minutos de carro do Complexo Integrado de Reciclagem (CIR) do Distrito Federal, que é formado dois galpões. Em um dos galpões trabalham aproximadamente 30 pessoas, quase todas são mulheres negras, separando o lixo reciclável dos não recicláveis.
Um dos catadores, Rônei Alves da Silva, de 47 anos, analfabeto até os 28 anos, terminou, em 2021, o curso de Direito.
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Rônei é um dos líderes dos catadores e foi responsável por assinar um contrato de R$ 21,3 milhões, em 2013, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que foi o dinheiro utilizado para construção do complexo.
“Se ano passado eu me formei em Direito, foi porque todos me ajudaram. Eu, daqui a uns dias estou indo. Isto daqui (o complexo) fica (…). Cada catador aqui dentro é dono disso daqui”, diz o catador.
“Não acredito em meritocracia. Acredito que as pessoas querem uma oportunidade na vida. Desde o mais rico até o mais pobre, tudo que a gente quer é oportunidade.”
Quando Rônei recebeu os repórteres, chovia muito. “Num dia como hoje, estariam todos trabalhando debaixo de chuva”, diz ele. O complexo foi inaugurado no final de 2020, e hoje é administrado pela Central das Cooperativas (Centcoop) do Distrito Federal, que é uma entidade em que Rônei presidiu por dois mandatos.
Atualmente, a entidade reúne mais de mil catadores e assim que o projeto for concluído, o complexo poderá atender até 5 mil catadores diariamente.
Nos meses bons, os catadores conseguem ganhar até R$ 2 mil, porém, nem sempre é possível que eles consigam obter esse valor.
Rônei é nascido em Teresina, no Piauí, em maio de 1974, o segundo de três filhos da empregada doméstica, Luiza Alves da Silva. Começou a trabalhar aos 12 anos como carroceiro, em Ceilândia, DF.
O trabalho consistia em tirar os entulhos das obras e transportar materiais de construção, porém, o salário mal pagava a comida.
“As casas de material de construção ficavam com 30%. O que a gente ganhava quase não dava para comprar a ferradura e a ração do cavalo.”
Nos anos posteriores, ele serviu ao Exército, vendeu sacolé, geladinho e chupchup. Rônei, também, trabalhou como um ambulante na rodoviária central de Brasília.
No início dos anos 2000, iniciou seu trabalho como catador de materiais recicláveis em uma cooperativa chamada 100 Dimensão. Foi nesse local em que Rônei se politizou e participou da fundação da Central de Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop) que é chamada de cooperativa de segundo grau.
Ao passo que trabalhava como catador na 100 Dimensão, Rônei cursou o supletivo para o ensino fundamental e depois para ensino médio, na infância chegou até a 5ª série. Abandonou depois de repeti-la cinco vezes.
“Eu falei: estudar não é pra mim. Eu sou burro (..). Só depois de velho fui descobrir que tinha dislexia e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Minha cabeça é um saco de gato. Fico pensando 242 coisas ao mesmo tempo”.
“Nessa idade, eu lidava melhor com o TDAH e com a dislexia. Eu aprendi que precisava sentar na primeira fileira. Porque se eu ficar uma cadeira para trás vou prestar atenção em qualquer outra coisa“, diz.

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