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Economia

Favelas brasileiras abrigam imóveis mais caros que alguns bairros nobres

Favelas brasileiras se valorizam no mercado imobiliário e destacam sua importância urbana.

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No início do século XX, as favelas, ou comunidades, já existentes antes, desenvolveram-se no Brasil devido à migração em massa de trabalhadores rurais para as grandes cidades.

A busca por oportunidades em meio à industrialização resultou na ocupação de áreas desvalorizadas das cidades que não comportavam totalmente o fluxo migratório; isso criou bolsões de exclusão social.

Ao longo dos anos, esses locais evoluíram de modo significativo ao se transformarem em comunidades com infraestrutura e serviços.

Comunidade da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro, é a maior do país – Imagem: Custódio Coimbra/Agência O Globo

Favelas com o metro quadrado mais caro que bairros nobres

A Rocinha, no Rio de Janeiro, não é apenas a maior comunidade do Brasil, com mais de 72 mil habitantes, mas também ilustra a integração de serviços urbanos, que incluem escolas, comércio e postos de coleta de encomendas, estruturas essenciais para tornar a vida dos habitantes mais digna.

Certas favelas passaram a ser comparadas a bairros tradicionais em termos de valorização imobiliária. O Vidigal, no Rio de Janeiro, exemplifica tal cenário, com o preço do metro quadrado que supera os R$ 15 mil, segundo o DataZAP+ de 2022.

Essa quantia posiciona o Vidigal acima de bairros renomados, como a Urca e o Leme, e o torna alvo de discussões sobre a real definição da área como favela.

Salvador e o caso de Pernambués

Já em Salvador, o bairro de Pernambués também surpreende ao figurar entre as regiões com maior valor do metro quadrado. Considerado a quinta área mais cara da cidade, Pernambués só perde para bairros de elite como Barra e Ondina. No entanto, a classificação como favela levanta debates entre os moradores, que destacam a infraestrutura local.

O superintendente do IBGE na Bahia, André Urpia, esclarece que o termo “favela” se refere a parte de Pernambués, onde 65% da população vive em áreas periféricas. Mesmo assim, muitos residentes não identificam o local com tal classificação. A realidade é que Pernambués ainda mantém uma convivência entre áreas desenvolvidas e menos favorecidas.

Portanto, as favelas brasileiras têm reconfigurado sua imagem no mercado imobiliário, com o fenômeno da sua valorização, que reflete uma complexa transformação social e econômica, desafia percepções tradicionais e destaca sua importância nas dinâmicas urbanas contemporâneas.

* Com informações da revista Veja.

Olá, sou John Monteiro, guitarrista e jornalista. Nascido no ano da última Constituição escrita, criado na periferia da capital paulista. Fã de história e política, astronomia, literatura e filosofia. Curto muita música, no conforto da minha preguiça, frequento mais palavras que livrarias.

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