Empresas
Indústria participa menos do PIB e elimina 800 mil empregos em dez anos
Setor reduziu em 20% contribuição para a economia no período, perda que se acentuou com a pandemia
Com uma queda de 20% de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e eliminação de aproximadamente 800 mil empregos nos últimos dez anos, a indústria brasileira amarga uma década inteira perdida, segundo apontou estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao acentuar que o fator reduz, também, o dinamismo da economia brasileira na criação de novos postos de trabalho, de modo geral.
Sequelas econômicas – Entre os fatores determinantes para esse quadro negativo, o instituto aponta as sequelas econômicas causadas pela pandemia, uma vez que, até novembro último, a indústria já amargava seis meses seguidos de queda da produção, além de ficar 20,4% abaixo do pico alcançado em maio de 2011.
Perfil desfigurado – Outro efeito perverso da crise seria a perda da capacidade do setor de criar milhares de postos de trabalho, como no passado, conforme atesta estudo recente apresentado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o que praticamente ‘desfigura’ seu perfil original e reduz muito sua influência na formação do PIB. “O setor industrial, ano a ano, vem perdendo espaço na estrutura econômica do País”, observa o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, André Macedo.
Última tentativa – A última ‘tentativa’ recente de recuperação do setor ocorreu no segundo semestre de 2020, mas os problemas da pandemia, fiscais e políticos apresentados no ano passado acabaram por inviabilizar a iniciativa.
Participação declinante – Em outra amostragem, o Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) atesta o descenso industrial na economia, cuja participação despencou, de 27,04% para 20,5%, no período de 2010 a 2020, acrescentando que, em outubro do ano passado, esta já era 14% inferior à registrada em março de 2014, último mês antes do início da recessão econômica, que se estendeu a 2016.
Fatores diversos – De acordo com economistas, a crise da indústria enfrenta hoje muitos problemas macroeconômicos, a começar por uma inflação persistente, juros estratosféricos, desequilíbrio fiscal, incertezas políticas, gargalos de infraestrutura, sem contar o ‘labirinto’ do complexo sistema tributário, escassez de mão de obra qualificada ou, ainda, o custo crescente da energia elétrica.
Ciranda negativa – Já o economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), Jonathas Goulart, entende que o desequilíbrio fiscal, além de afetar o sistema tributário, favorece a alta do dólar, alimenta a inflação, o que é captado pelos juros futuros, cuja elevação faz com que o Banco Central (BC) aplique novos reajustes da taxa básica Selic, como ocorre hoje. O resultado dessa ciranda financeira negativa é a pouca atratividade da indústria para investimentos.
Efeito multiplicador – Ao lembrar que as dificuldades da indústria tiveram início, devido à abertura ‘abrupta’ da economia nos anos 1990, pelo então presidente Fernando Collor (que na época reduziu drasticamente as tarifas de importação) o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, destaca seu ‘efeito multiplicador’ natural, em que cada R$ 1 obtido pelo setor corresponde a R$ 2,14 acrescentados ao PIB, resultado superior ao atingido, mediante igual parâmetro, pelos serviços e pela agropecuária, que acrescentariam R$ 1,46 e R$ 1,67, respectivamente.
Qualidade do emprego – Mas a redução da criação de empregos pela indústria afeta também a qualidade do emprego na economia como um todo. Segundo cálculos do Iedi (levando em conta dados do IBGE), na média de 2019 a 2021, 63,9% de sua força de trabalho possuía carteira assinada, enquanto que nos serviços, o benefício só cobria 40% dos trabalhadores e 16%, no caso da agricultura, 16,6%.

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