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Carlos Alberto Sicupira: uma trajetória de sucesso

O bilionário aposta na simplicidade e capacidade de gerenciar para acumular fortuna.

Carlos Alberto Sicupira

Responsável pela entrada na Endeavor no Brasil, pelo reposicionamento das Lojas Americanas e pela criação da Ambev, maior fusão do ramo que o mercado nacional já viu, Carlos Alberto Sicupira é brasileiro e possui uma fortuna estimada em US$ 8,7 bilhões.

Com isso, ele ocupa o quinto lugar do ranking da revista Forbes 2021, entre os brasileiros mais ricos do mundo.

O carioca, nascido em 1º de maio de 1948, é conhecido pelo perfil “durão” de gerenciar. O que não quer dizer que ele seja sisudo ou antipático. Ele é apenas o mais gerentão entre os três sócios que compõem, atualmente, o 3G Capital, que, por sua vez, é um fundo que busca investir em empresas de fora do país.

O grupo , composto por Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann expandiu ainda mais suas tratativas no segmento cervejeiro, quando realizaram a fusão com a Interbrew e a Anheuser-Busch, em 2004 e 2008, respectivamente, o que tornou o trio dono da maior cervejaria do mundo.

Mas o investimento não parou por aí. Com a 3G, em 2010, eles passaram a controlar a rede Burger King. Além disso, compraram o Restaurant Brands International, trazendo para o fundo as redes de cafeteria Tim Hortons e de lanchonetes Popeyes.

A compra da fabricante de alimentos Heinz

O passo seguinte foi comprar a fabricante de alimentos Heinz e incorporar outras alimentícias. Isto é, a Kraft, na tentativa de repetir o sucesso da fusão entre as cervejarias, e criar uma gigante do ramo.

Mas, assim como em qualquer outro setor, nem sempre a aposta apresenta resultados satisfatórios. E essa aquisição foi logo desfeita, após uma série de processos impetrados por acionistas.

Isso porque, ao contrário de experiências anteriores, a economia, defendida por Beto, de cortar custos antes mesmo que eles cresçam, não funcionou. E então, a empresa perdeu dinheiro, segundo especialistas, por falta de investimento em inovação.

Ao final, a 3G vendeu parte da sua participação, ficando apenas com 10% dos papéis da Heinz Kraft. O que não reduziu em nada a fortuna de Alberto, que segue fazendo transações e investindo em empreendimentos inovadores.

Sim, porque, apesar de “gerentão”, o empresário possui características importantes. Ele costuma buscar projetos e pessoas com ideias inovadoras. Tanto que seleciona talentos jovens e acompanha de perto o dia a dia das suas empresas. É o caso, por exemplo, das Lojas Americanas, que conseguiram uma recuperação considerável depois da intervenção do seu grupo e do seu trabalho junto aos funcionários.

O fundo 3G Capital é fruto dessa trajetória de experiências que são constituídas, na maior parte das vezes, por bons negócios, mas também por operações refeitas por falta de lucros suficientes para o crescimento.

Ainda assim, o Fundo tem como diferencial a operacionalização e controle das atividades estratégicas, além do investimento financeiro, e essa habilidade tem a frente a capacidade gerencial de Carlos Alberto Sicupira.

Segundo os sócios, ele realizou seu desejo de se tornar militar na função que exerce no trio societário, ou mesmo nos desafios que assume, o de comandar.

Trajetória de busca

De todas histórias de bilionários que conhecemos, essa pode ser a mais inspiradora para jovens que não são oriundos de famílias abastadas. Isso porque, a trajetória de vida desse empresário parte de um lugar comum a muitos brasileiros que sonham em ganhar dinheiro empreendendo: sem muitos recursos financeiros, mas com muita disposição e ousadia.

Carlos Alberto Sicupira vem de uma família de classe média, mantida pelo pai, funcionário público do Banco do Brasil e do Banco Central, sua mãe era dona de casa. O jovem começou a trabalhar ainda aos 17 anos em uma revendedora de carros usados, logo depois vendeu calças importadas.

Mesmo com a pouca idade, Sicupira já vislumbrava empreender, tanto que comprou uma distribuidora de valores. A faculdade veio depois com a entrada no curso de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando Alberto resolveu seguir os passos do pai e entrar para o serviço público.

Talvez esse tenha sido o atalho necessário para Alberto, ou Beto, como é identificado por amigos mais próximos, seguir o caminho do pai. O futuro empresário, então, resolveu se enveredar pelo funcionalismo público. E desse modo, prestou serviço para o Departamento Nacional de Estradas de Ferro, para o Porto do Rio de Janeiro. Bem como, para o Serviço Federal de Processamento de Dados.

Parecia que tudo estava encaminhado, e o resultado seria mais um funcionário público com perfil inovador, mas essa escolha foi logo deixada de lado e, aos 20 anos, Sicupira voltou ao mercado de investimentos, entrando como sócio em uma nova distribuidora de valores.

Banco Garantia

Nessa época, a paixão pela pesca, que já tinha estreitado laços com amigos, o levou ao que seria a oportunidade para deslanchar como empresário. A proposta de Lemann da sua participação do banco Garantia.

Depois de quatro anos analisando a proposta, já com experiência de trabalho no Marine Midland, em Londres, em 1973, o bilionário aceitou a oportunidade, sem nem saber qual seria sua função na empresa.

Foi nessa passagem pelo Garantia que o trio se fortaleceu e segue junto até os dias atuais. Mesmo com o Banco rendendo muito lucro, Beto e seus sócios queriam ir além, e em 1982, essa oportunidade apareceu.

As lojas Americanas viviam um declínio e, mesmo depois de estrearem na Bolsa de Valores, não indicavam sinais de recuperação.

Lojas Americanas: a virada

A aquisição foi feita por um valor muito abaixo do real: US$ 30 milhões – o valor total apenas dos imóveis que a Companhia possuía, girava em torno de US$ 100 milhões. Assim, a responsabilidade de reerguer a empresa parou nas mãos de Carlos Alberto Sicupira.

Com carta branca, aquela foi a primeira vez que o mercado conhecia o modus operandi do empresário. Para ele, o corte é como a unha, se não for aparada a medida que cresce, sai do controle.

A partir dessa filosofia, nos primeiros meses, as demissões chegaram a 6.500 funcionários das Lojas Americanas, entre eles executivos do alto escalão da Companhia, cortou programas de remuneração para estes, e resolveu buscar talentos na própria empresa, com o objetivo de potencializar essas competências.

O empresário dava expediente no escritório e, com o suporte de um auditor e um executivo, assumiu o perfil do militar que sempre teve vontade de ser. Aos que discordaram do corte no programa de bônus que gratificava executivos por metas facilmente alcançáveis, a demissão veio em massa. Ou seja, de uma única vez, ele demitiu 32 colaboradores.

As críticas vieram de toda a parte, mas as medidas surtiram efeito e, seis meses após a compra, um quinto das Americanas já estavam valendo US$ 20 milhões, valor pago pelo banco Garantia por 70% da companhia.

O trio: Lemann, Telles e Sicupira

O sucesso foi tanto que alcançou o fundador da Walmart, Sam Walton. O convite foi feito e, meses depois, o trio Lemann, Telles e Sicupira embarcava para a América com o objetivo de efetivar mais uma operação de grande soma.

A experiência levou Beto a adotar novas estratégias, junto a funcionários. Além da consciência de que gastar sola de sapato é o segredo do alto lucro. E assim, o empresário passou a visitar lojas com mais frequência e a construir uma relação mais próxima dos funcionários. Inclusive, se comprometendo a cumprir metas. 

Lemann, Telles e Sicupira

Lemann, Telles e Sicupira

Mas a ideia de controlar a Walmart não funcionou e o negócio com Sam Walton não se concretizou da forma esperada. O desafio então se tornou outro: criar uma nova ideia para buscar outros investimentos.

Por isso, em 1993, Beto passou sua função nas Lojas Americanas para um executivo de sua confiança e seguiu para a criação do primeiro fundo de investimento do grupo.

Família e perfil de Carlos Alberto Sicupira

Casado com Cecília de Paula Machado, Sicupira tem três filhas: Cecília, Helena e Heloísa. Mas ele não mistura relações familiares com negócios. A regra é: no máximo os herdeiros podem participar do programa de trainee sem passar por seleção. Depois o caminho deve ser individual e sem intervenções, muito menos sem cargos direcionados nas empresas do grupo.

Esse perfil condiz com a discrição e aversão a holofotes, dos quais os sócios fogem. As entrevistas são raras e as aparições, exceção. Há quem diga que Alberto não aparece nem nas festas da própria firma.

Por outro lado, Sicupira mantém a simplicidade e não se aproveita da sua fortuna para dar carteirada. Segue sendo discreto. 

Mas, no mercado de ações, o bilionário é conhecido como “o homem dos novos negócios”. Um adjetivo natural que vem com sua capacidade de vislumbrar movimentos inovadores, empreendedores potentes e transações bilionárias. Uma história curiosa foi a vontade de encontrar entre os funcionários das Lojas Americanas talentos escondidos.

Aliado a essa característica está a competência técnica de um administrador de empresas que desde muito jovem buscava formas inovadoras e ousadas de realizar investimentos. Ele possui olhar no futuro, e coragem de apostar em talentos e no empreendedorismo.

A filantropia é outra característica que coaduna com o perfil de Sicupira. Ele investe também em empresas desse ramo, como a Dr. Consulta, que presta serviços médicos gratuitamente para a população vulnerável, e a Startup Hypercubes que realiza um trabalho geológico fundamental para a exploração sustentável do solo.

No Capitalist você encontra esses, bem como outros perfis de mega investidores nacionais e internacionais que construíram suas carreiras e possuem histórias inspiradoras e de sucesso. Então, se gostou deste artigo e deseja acompanhar mais exemplos como o de Carlos Alberto Sicupira, leia os perfis especiais que o Capitalist preparou para você.

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Steve Wozniak, conheça a trajetória do cofundador da Apple

Steve Wozniak

Perfil de Steve Wozniak

Nome completo: Steve Gary Wozniak
Ocupação: cientista de computação, inventor, programador, executivo, professor
Local de nascimento: São José, Califórnia, Estados Unidos
Data de nascimento: 11 de agosto de 1950
Fortuna: US$ 100 milhões

Stephen Wozniak é um cientista de computação, inventor, programador, executivo, professor e co-fundador da Apple, junto com Steve Jobs. Além disso, ele é fundador de outras entidades, como a Tech Museum e a Silicon Valley Ballet.

Leia ainda: Mark Zuckerberg: trajetória do fundador do Facebook, de estudante a bilionário

Ao longo de sua carreira, contribuiu para a criação da Comic Con, nos Estados Unidos, além de possuir 10 títulos de doutorado honorário em engenharia, bem como acumular uma fortuna estimada em US$100 milhões.

A história de Woz, como é conhecido, se mistura com a revolução do computador pessoal e ganha destaque com as importantes criações que fez ao longo de sua trajetória, ao lado de seu grande amigo e sócio, Steve Jobs. Para conhecer mais da vida desse milionário, continue lendo este artigo.

Quem é Stephen Gary Wozniak?

Stephen Gary Wozniak é filho de Margaret Louise e Francis Jacob Wozniak e nasceu em São José, na Califórnia, nos Estados Unidos da América, no dia 11 de agosto de 1950. Quando criança, Steve e os irmãos eram proibidos de perguntar ao pai qual sua profissão. Na verdade, Francis era engenheiro de um programa de mísseis em uma companhia aeroespacial norte-americana chamada Lockheed, e, por isso, deveria ser mantido em sigilo sua profissão.

Isso despertou a curiosidade de Steve para a eletrônica, que, junto com seus amigos, criaram algo similar a um interfone residencial que conectava seis residências da rua onde morava. Ele teve que aprender a programar sozinho, pois não tinha aulas de computação. Para isso, usava livros e muita persistência, apesar de que seu pai sempre lhe ajudou com suas criações, já que trabalhava com isso.

Seu pai lhe ensinou as bases de Matemática e de eletrônica. Aos 11 anos, desenvolveu e construiu sua própria estação de radioamador, inclusive obtendo licença para operar. Quando tinha 13 anos, o Clube de Eletrônica que Woz fazia parte na sua escola o elegeu presidente. Além disso, Steve ganhou seu primeiro prêmio, durante uma feira de ciências, por desenvolver uma calculadora que tinha como base transistores.

Além de seu pai, o personagem de ficção literária, Tom Swift, também foi uma inspiração para Woz. Uma referência que lhe dava a liberdade para criar, conhecimento técnico e habilidades para encontrar soluções para inúmeros problemas. Foi com essa idade também que construiu seu primeiro computador.

Steve Wozniak seguiu para o Colorado, onde fez universidade. Contudo, após ter hackeado o sistema da instituição para passar trote nos colegas calouros, foi expulso. Assim, Woz foi para a Universidade da Califórnia, onde iniciou o curso de engenharia.

Início da carreira

Antes de se formar em engenharia, Woz conseguiu um trabalho como engenheiro na Hewlett-Packard (HP). Lá, desenvolveu inúmeros projetos, sendo a principal as calculadoras científicas. Foi na empresa que conheceu Steve Jobs, que participava de alguns treinamentos, na época. Como os dois gostavam muito de computação, logo ficaram muito amigos.

Inclusive, o primeiro projeto desenvolvido pelos dois foi em 1971, e tratava-se de um dispositivo que possibilita realizar ligações de longa distância de forma gratuita. Foi neste mesmo ano que Steve Wozniak construiu seu primeiro computador. Ele fez isso com a ajuda de Bill Fernandez, que posteriormente se tornaria um dos seus primeiros funcionários na Apple.

Homebrew Computer Club

Steve Wozniak estava muito envolvido no trabalho do Homebrew Computer Club, em Palo Alto, um grupo local de hobistas de eletrônica, contudo, seu projeto não tinha grandes ambições. Nesse clube, Woz encontrou Steve Jobs, que tinha saído do Reed College. Os dois conversaram e decidiram desenvolver e criar um computador que fosse barato e completamente montado.

Foi somente em 1975 que Woz e Steve Jobs se dedicaram ao desenvolvimento do Apple I, o primeiro computador que tinha interface de vídeo nos Estados Unidos da América. Talvez você não saiba, mas Steve Wozniak ainda chegou a dizer para a HP que o Apple I era uma excelente ideia. Entretanto, a empresa estava com seu foco direcionado para as calculadoras eletrônicas e acabou não dando atenção para o projeto dos jovens desenvolvedores.

Em parceria com John Draper, Steve Wozniak construiu as Blue Boxes, ou caixas azuis, que consistem em dispositivos que possibilitam burlar o sistema telefônico da AT & T ao emular pulsos. Ao lado de Steve Jobs, Woz vendia as caixas.

Sempre envolvido em projetos sociais, sua grande generosidade fez com que Steve Wozniak também fosse pioneiro ao disponibilizar aos consumidores comuns o acesso a computadores, o que gerou uma revolução do computador pessoal.

Como a Apple começou

E se a HP não deu tanto crédito para o Apple I, a ideia de Woz foi mais do que valorizada por Steve Jobs, que viu nessa criação um pontapé inicial para também começarem a vender computadores. Diante disso, os jovens desenvolvedores decidiram fundar a empresa Apple Computer Company.

Juntos, fabricaram seus primeiros computadores ainda na garagem da família de Jobs. Todo o dinheiro que a dupla usou inicialmente veio da venda do carro de Jobs, uma minivan Volkswagen, e da calculadora científica da HP de Woz, que lhes rendeu US$1.300.

Os dois conseguiram vender seus primeiros computadores pelo valor de US$666 a um comprador local e foi um verdadeiro sucesso. Isso fez com que Mike Markkula fizesse um aporte de US$600 mil na empresa, e convencendo Steve Wozniak a deixar a HP, dedicando exclusivamente à Apple.

Já em 1977, eles lançaram o Apple II. Desta vez, o computador vinha com gráficos coloridos, oferecendo a possibilidade dos programadores personalizarem seus aparelhos, inclusive criando aplicativos. Era uma revolução. O computador era capaz de mostrar figuras e tinha alta resolução. Em 1978, os dois projetaram um drive de disquete de baixo custo.

E o negócio foi crescendo e fazendo sucesso, gerando mais capital. O IPO ocorreu no dia 12 de dezembro de 1980, transformando os dois sócios em milionários.

Outros rumos

Contudo, a vida de Steve Wozniak deu uma reviravolta no ano em que a empresa dedicava seus esforços ao Macintosh, primeiro computador que possuiu interface gráfica e mouse. Woz sofreu um grave acidente de avião e perdeu a memória. Após se recuperar, o cofundador da Apple decidiu que era melhor se afastar da empresa.

Woz aproveitou esse tempo para realizar diversos cursos, percorrendo várias áreas do conhecimento, desde a tecnologia à música. Contudo, após perder muito dinheiro, decidiu voltar para a Apple, em 1982. Mas não permaneceu por muito tempo. Em 1985, decidiu sair novamente da companhia.

Isso porque ele estava atuando na parte de gestão, só que, na verdade, desejava continuar na área de criação, que era seu principal interesse. Dessa forma, acreditando que a empresa não estava indo para o rumo que desejava, aproveitou sua saída e se desfez de grande parte de suas ações. Foi então que Steve Wozniak decidiu fundar a CL9, empresa responsável por lançar o primeiro controle remoto universal.

Com rancor do amigo, Steve Jobs chegou a ameaçar fornecedores para que não fizessem negócios com Wozniak, que até chegou a encontrar outros fornecedores, porém, ficou muito decepcionado com a atitude do amigo. Posteriormente, Jobs deixou a Apple devido às lutas pelo poder.

Reconhecimento de Steve Wozniak

Steve Wozniak já recebeu inúmeras premiações ao longo da vida devido suas contribuições na área da tecnologia. Em 1985, Woz recebeu a medalha Nacional de Tecnologia e Inovação, concedida pelo então presidente Ronald Reagan. Já em setembro de 2000, Woz foi incluído no National Inventors Hall of Fame.

Quando deixou a Apple Inc., Steve Wozniak disponibilizou todo o dinheiro, além de uma parte do suporte técnico, para a escola do distrito de Los Gatos.

No ano de 2001, Woz decidiu fundar a empresa Wheels Of Zeus, isto é, uma companhia voltada para a produção de soluções sem fio. Em consideração a amizade que teve com Steve Jobs, que faleceu no dia 05 de outubro de 2011, Steve Wozniak acampou durante 20 horas em frente a uma das lojas da Apple Inc., na cidade da Califórnia, para ser o primeiro cliente a entrar no estabelecimento e assim, comprar o iPhone 4S, lançamento da época.

Steve Wozniak e sua vida pessoal

A vida pessoal de Steve Wozniak até que é bastante movimentada. Ele já foi casado quatro vezes, tendo três filhos, contudo, todos são da segunda esposa. Influenciado pela primeira ex-companheira, tornou-se maçom. Contudo, devido sua personalidade geek, acabou não se encaixando dentro das propostas da maçonaria, desfazendo seu vínculo.

Como sempre foi envolvido com projetos voltados para o lado social e da Educação, Steve Wozniak tornou-se o fundador-patrocinador da Tec Museum; do Silicon Valley Ballet; do Children ‘s Discovery Museum, além de ter sido um dos fundadores da Electronic Frontier Foundation.

O engenheiro também transformou a Un.U.Son (instituição que ele fundou voltada para organizar festivais de música) em uma entidade voltada ao apoio de projetos da área educacional. Além disso, Steve Wozniak possui 10 títulos de doutorado honorários em engenharia.

Steve Wozniak tem uma história de sucesso e dedicação às suas criações, e, sobretudo, à Educação. Agora que você já conhece um pouco mais sobre este grande criador da Apple, juntamente com Steve Jobs, então navegue pelo site da Capitalist para conhecer a biografia de outros nomes de destaque no Brasil e no Mundo.

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Nassim Taleb: o investidor por trás dos conceitos Cisne Negro e Antifrágil

Conheça a história de Nassim Taleb, grande escritor que ama a imprevisibilidade para fazer investimentos.

Nassim Taleb

Perfil de Nassim Taleb

Nome completo: Nassim Nicholas Taleb
Ocupação: Economista e professor emérito na Universidade de Nova York
Local de nascimento: Amioun, Líbano
Ano de nascimento: 1960

Amado por muitos, odiado por tantos outros, esse é  Nassim Nicholas Taleb.

Veja também: Michael Klein: biografia do fundador do Grupo CB e herdeiro das Casas Bahia

Conhecido por fazer investimentos de altos riscos, Taleb alcançou o sucesso e assim, fez sua coleção de livros para inspirar a outros.

Siga a leitura e entenda um pouco sobre sua trajetória!

Quem é Nassim Taleb

Filho do Oncologista Nagib Taleb e da Antropóloga Minerva Ghosn, Nassim Taleb nasceu no Líbano em 1960.

Mesmo a família sendo nome de muita influência na região, durante a Guerra Civil de 1975 tiveram que fugir e se refugiaram na França.

Taleb teve uma excelente educação, se formou como Bacharel, bem como Mestre em Matemática pela Universidade de Paris.

Pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, conquistou o MBA, além do PHD em administração também pela Universidade de Paris.

Nassim é um grande nome no mercado financeiro, como estatístico e investidor; além de ser conhecido pelos seus livros best-seller, que já são traduzidos para diversos idiomas: “A lógica do Cisne Negro”, bem como “Antifrágil”.

Além dos livros, Taleb já publicou diversos artigos sobre estatística, finanças, análise de risco e até mesmo filosofia.

Atualmente vive nos Estados Unidos, sendo professor do Instituto Politécnico da Unidade de Nova York.

Início da carreira

Após a formação na França, Taleb foi trabalhar nos EUA, no mercado financeiro, onde atuou por 21 anos e construiu sua fortuna.

Nassim se dedicava a princípio na área de derivativos, e aos 27 anos alcançou a liberdade financeira, logo após a crise de 1987.

Ele obteve lucros em outras crises, como em 2000, no estouro da bolha das empresas de Internet e, além disso, previu a crise global em 2008, um dos poucos que obteve ganhos.

Na crise pandêmica de 2020, Taleb disse que também era previsível, quando o vírus ainda estava apenas na China, e os governos não ouviram os alertas passados pelos pesquisadores em janeiro daquele ano, porém não saiu do radar dele.

Durante março, Nassim obteve mais de 3.000% de ganho, enquanto o mercado de todos os cantos do mundo derretia.

Nassim já trabalhou em instituições como Credit Suisse First Boston, BNP, Indosuez, Deutsche Bank, além da atuação no mercado como trader independente.

Em 2006 foi quando deu início a mudança de carreira, passando a atuar como pesquisador e aprofundar nos estudos sobre a probabilidade, gestão de riscos e filologia (estudos de línguas e documentos antigos).

Sua riqueza

Bom, Nassim ficou muito rico fazendo algo que muitos tem medo. Se arriscando.

Ele começou a fazer investimentos pouco previsíveis, que contava com acontecimentos improváveis e muitas falhas.

Por esse motivo ele é muito criticado por outros investidores e ao mesmo tempo muito admirado por outros.

Também é considerado controverso, porque ele faz investimentos de altos riscos, mas sua carteira é mantida com investimentos seguros.

Pois, sua estratégia principal consistia em apostar na volatilidade do mercado e ganhar dinheiro em cima disso.

Chamada de “Cisne Negro”, é uma de suas estratégias mais conhecidas, em que ele aposta em eventos improváveis, aguardando uma valorização muito alta e pouquíssimo esperada.

E com essa estratégia ele conseguiu faturar “apenas” 40 milhões de dólares durante a crise de 1987, e tudo isso em poucas horas. Além disso, nas crises de 2000 e 2008, também obteve excelentes resultados com esse método.

Ou seja, a estratégia consiste em ser conservador com boa parte da carteira de investimento, para ser agressivo com parte menor em investimentos de alto risco.

Taleb como grande estrategista reserva muitas coisas em seus livros, então siga a leitura para entender mais sobre a história dele.

Seus livros e estratégia de investimento

Nassim Taleb tem uma coletânea “Incerto” em que reúne a base dos conceitos de sua estratégia, apresentada como “Um ensaio filosófico sobre a incerteza”, e não precisa de ordem específica para ser lida.

A obra possui cinco volumes:

  • A lógica do Cisne Negro;
  • Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos;
  • Iludidos pelo acaso: A influência da sorte nos mercados e na vida;
  • Arriscando a própria pele: Assimetrias ocultas no cotidiano;
  • A cama de Procusto: Aforismos filosóficos e práticos.

A lógica do Cisne Negro

Um dos livros que mais se repercutiu, se refere a eventos, podendo ser positivos quanto negativos.

Ele relaciona três principais características:

  • Imprevisível e raro
  • Compreensível só depois de ocorrido
  • E com consequências extremas

Taleb foi considerado “guru das finanças” por apontar crises que iriam acontecer, como a de 2008.

Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos

Para Nassim, tirar proveito dos acontecimentos adversos consiste na antifragilidade.

Se proteger do risco pode parecer o mais seguro e ideal, mas não é o melhor para seu desenvolvimento profissional e pessoal.

O autor defende que o oposto da ser frágil, é ser alguém que supera a incerteza sem ser destruído por ela.

Na visão do autor, ser antifrágil é o ideal, pois aproveita a chuva para dançar, o caos para evoluir. Ou seja, ser antifrágil pode incomodar a princípio, mas no final dará uma sensação de conquista.

Iludidos pelo acaso: A influência da sorte nos mercados e na vida

Nessa obra o autor defende que a relação de causa e efeito é supervalorizada.

Além disso, argumenta que nem sempre é possível explicar os acontecimentos dessa relação, embora desagrade a muitos.

Ele cita imagens de nuvens, que embora tenham formas aleatórias, cada um enxerga como quer.

Para ele, se preparar para o inesperado é necessário e deve-se aproveitar as oportunidades para se fortalecer e fortalecer os negócios; apreciar as vitórias e aprender com as derrotas.

A cama de Procusto: Aforismos filosóficos e práticos

Esse livro foi escrito com o intuito de mostrar ao leitor a importância de considerar a imprevisibilidade.

Por um simples motivo mostrado pelo autor: os imprevistos não podem ser calculados nem pelos cálculos de probabilidade. E lembre-se que ele é especialista nesse ramo.

Nassim fala nesse livro sobre situações que as pessoas são obrigadas a se encaixar em um padrão que não é o delas. E conta uma breve história, que é a seguinte:

“Havia um rapaz meio estranho, que tinha uma casa que fazia de abrigo para viajantes. Porém nessa casa só tinha duas camas, uma muito grande e outra muito pequena.

Se o viajante era super pequeno, então ele o esticava até caber na cama. Se fosse grande demais, então Procusto cortava as pernas até caber na cama.

Até que um dia chegou um hóspede diferenciado. Era o herói de Atenas que se chamava de Teseu.

Teseu fez com que Procusto se deitasse em uma das camas, e por ele ser grande demais para a cama, Teseu lhe cortou a cabeça.“

Com essa lenda, Taleb tirou a conclusão que não adianta limitar as pessoas a um padrão se ela não se encaixa a tal.

Por isso, não limite seus investimentos ao padrão de outro que não se arrisca por medo. Tenha sua própria experiência.

Arriscando a própria pele: Assimetrias ocultas no cotidiano

Esse é o livro mais recente, e ele fala da importância de mostrar cara a tapa para os riscos em todas as áreas da vida, mesmo que muitas pessoas, até mesmo em posição de destaque ou referencial, não tenham esse hábito.

Seu sucesso será diferente do dele

Para Taleb, é necessário se envolver na imprevisibilidade, principalmente no mercado financeiro, que é um real ambiente de risco.

Assim, o envolvimento maior seria por parte de gestores que podem investir ou não nos próprios produtos administrados.

Ou seja, você confiaria em investidores que não investem nos produtos que recomendam? Ou em uma empresa que o próprio dono não possui ações?

Nassim Taleb e as criptomoedas

Para Nassim, o investimento em criptomoedas, mais precisamente no Bitcoin, não é atrativo.

Ele afirmou que o Bitcoin “vale zero” porque “requer uma quantidade acumulada de juros para se sustentar”.

Em 2018, Taleb era um grande apreciador da cripto, mas em 2021 mudou totalmente de opinião e chegou a criticar a moeda em redes sociais.

No Twitter, o investidor foi além e discutiu com diversas pessoas que pensam diferente dele, inclusive investidores brasileiros como o Fernando Ulrich, partindo até para agressões verbais.

Desde esse cenário e outros mais recentes, a conta do autor foi fechada ao público.

Nassim Taleb e a pandemia

Muitos chegaram a questionar o autor se a pandemia poderia ser vista como um evento Cisne Negro, e ele afirmou que não.

Segundo Nassim, a metáfora do Cisne Negro foi feita para exemplificar o porquê, em um mundo de rede, é necessário mudar práticas de negócios e normas sociais.

E isso não se aplica a qualquer evento ruim que nos surpreenda, como foi a pandemia da Covid-19.

Além de que a pandemia foi super previsível na fase inicial ainda na China, mas as autoridades governamentais não quiseram gastar centavos no início e acabaram gastando trilhões quando tudo se agravou, diz Taleb.

Frases de Nassim Nicholas Taleb

“Se você vê uma fraude e não diz “fraude”, você é uma fraude.”

“O que não me mata não me fortalece, mas mata os menos aptos e torna a população sobrevivente mais forte como um todo.”

“Minha ideia do sábio estoico moderno é alguém que transforma medo em prudência, dor em informação, erros em começos e desejos em realizações.”

“A incerteza é algo presente, desejável e necessário para a evolução.”

Gostou do conteúdo? Então, acesse mais artigos sobre os homens mais ricos e bem sucedidos do mundo navegando no nosso blog!

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Michael Klein: biografia do fundador do Grupo CB e herdeiro das Casas Bahia

Trajetória de um dos herdeiros das Casas Bahia.

Michael Klein

Perfil de Michael Klein

Nome completo: Michael Klein
Ocupação: Empresário
Local de nascimento: Munique, Alemanha
Data de nascimento: 27 de novembro de 1950
Fortuna: R$ 5,7 bilhões (Forbes 2016)

Um dos herdeiros das Casas Bahia, Michael Klein iniciou sua carreira no almoxarifado da empresa da família, com a função de gerenciar o controle de estoque das mercadorias.

Isso porque, aos 18 anos, o sr. Samuel Klein, pai de Michael, condicionou a entrega de um carro de passeio ao seu filho à ocupação de um cargo nos negócios da família.

Na ocasião, ofereceu-lhe duas chaves e as opções: ou as duas ou nenhuma. Ou seja, só ficaria com a do automóvel, se assumisse a da loja. O herdeiro não teve dúvidas e seguiu para cumprir sua missão.

De cargo em cargo, chegou a direção em 2005, lugar que dividia com seu irmão Saul. Mas essa parceria não levou muito tempo, pois os irmãos tinham ideias diferentes sobre a empresa.

Diante disso, Michael e Samuel, seu outro irmão, compraram as ações de Saul e seguiram para efetivar a fusão com o Ponto Frio, na época, liderada pelo grupo Pão de Açúcar. O contrato foi fechado em 2019, quando nascia a Via Varejo.

Mas o que deveria ser o negócio do ano no ramo do varejo de eletrodomésticos para o empresário Michael, acabou levando a Casas Bahia a um lugar secundário na megaempresa Via Varejo.

Diante disso, Klein pressionou Abílio Diniz, dono da Pão de Açúcar, a rever o contrato e ajustar algumas cláusulas. Mesmo depois disso, Michael não viu sua empresa crescer e, por isso, tirou uma parte do seu capital de Diniz.

Nesse momento, Michael precisou se reinventar e procurar novos investimentos para sobreviver como empresário no mundo dos negócios.

Novos passos

Diante da reviravolta, e depois de outra tentativa de negociação que, dessa vez, não teve sucesso, Klein acabou retirando boa parte do seu capital da Via Varejo.

Michael, então, resolveu investir no campo imobiliário, comprando imóveis, apesar de já ter muitos prédios alugados.

E já vislumbrou outro setor promissor: o da aviação executiva, que atua com aluguel de aeronaves para voos próximos.

Enquanto isso, a Via Varejo sofria perdas com crise financeiras dos principais acionistas: Grupo Cassino e Pão de Açúcar, controladores da megaempresa.

A decisão naquele momento foi abrir mão de uma cláusula conhecida como “Pílula Veneno”, um artigo que obrigava acionistas com mais de 20% a oferecer suas ações para sócios da própria empresa.

Essa foi a oportunidade que Michael Klein precisava para voltar a tomar as rédeas da empresa da sua família.

Assim, Klein acabou atuando de forma incisiva no destino das Casas Bahia, o que acabou lhe rendendo R$ 100 milhões, o que representa 1,6% do capital da companhia.

O negócio foi feito a partir da empresa B3, e acabou sendo efetivado por R$ 100 milhões, uma bagatela para quem esperava gastar R$ 500 milhões.

Com a saída do Grupo Cassino da jogada, enfim, a empresa estava novamente nas mãos da família Klein. Michael tornou-se acionista principal e presidente do Conselho da administração da empresa.

Mas ele ficou pouco tempo na função, passando o cargo para Raphael, seu filho.

Origem

Michael Klein e o pai, Samuel Klein

Michael Klein e o pai, Samuel Klein

Não fosse o momento turbulento que vivia a política boliviana, com a chegada da Ditadura Militar, a família Klein não teria chegado ao Brasil.

Afinal, essa era a segunda opção do casal Klein: o senhor Samuel e a senhora Ana, pais de Michael, Samuel e Ana. Eles se casaram na Alemanha, em 31 de dezembro de 1949, mas decidiram deixar a Europa que estava em decadência após as perdas causadas pelo governo nazista de Hitler.

O objetivo inicial era seguir para os Estados Unidos da América, mas o país não permitiu a entrada da família em seu território.

Resultado: queriam um lugar que, naquela época, estivesse em paz. Então, no caminho para a Bolívia, desembarcaram em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

De pai polonês e mãe alemã, Michael Klein nasceu na Alemanha em 1951, e ainda menino, cruzou as fronteiras brasileiras.

De origem judia, seu pai sofreu fortes perseguições e chegou a ser preso em dois campos de concentração. Um deles o Auschwitz-Birkenau, local onde o governo alemão matou mais judeus.

Seu Samuel Klein herdou a profissão de carpinteiro do avô de Michael, ofício que o fez se manter vivo por algum tempo na prisão. Mas foi uma distração dos guardas que possibilitou sua fuga do campo mais letal de todos.

Para encontrar ajuda, andou mais de 50 quilômetros a pé. Uma história triste e de muita coragem.

O começo da vida de comerciante

Depois disso, o patriarca se tornou um comerciante nato. Passando a trabalhar com venda de produtos para militares que ocupavam a Alemanha. Era assim que sustentava a família, quando ainda estava em território alemão.

Aqui no Brasil, passou a trabalhar como mascate, revendendo roupas de cama, mesa e banho de porta em porta, no bairro reduto de judeus e árabes, o Bom Retiro.

Enquanto o mundo juntava os frangalhos da segunda guerra mundial, e sofria nas mãos de governos fascistas, o Brasil vivia um exponencial processo de industrialização comandada por Juscelino Kubitschek.

Muitos jovens migravam de cidades do interior, especialmente, do Norte e Nordeste, para São Paulo, no intuito de trabalhar nas montadoras de automóveis.

Com as temperaturas baixas e inverno rigoroso, o senhor Samuel Klein não teve dúvidas, e passou a revender cobertores para os trabalhadores da indústria.

Casas Bahia

Casa Bahia, primeira loja comprada por Samuel Klein, pai de Michael

Casa Bahia, primeira loja comprada por Samuel Klein, pai de Michael

O nome surgiu, justamente, da clientela que atendia, os migrantes nordestinos. A loja começou com nome no singular e foi inaugurada em 1957, com o dinheiro poupado das vendas de cobertores.

A segunda loja, já batizada no plural, veio três anos depois. O chefe da família sempre foi reconhecido pela capacidade de negociar e como ele mesmo disse, comprava por 100 e vendia por 200.

Também tinha um olhar muito específico sobre as necessidades das classes C e D, comportamento que aprendeu a visualizar após sentir na pele as dificuldades que a guerra imprimiu à sua família, e todos os perrengues que vieram junto.

Ele percebeu ainda que aqueles trabalhadores costumavam pagar as dívidas como podiam, em parcelas, e pagavam em honra ao seu nome. Por isso, eram confiáveis.

Os produtos, então, eram vendidos para pagamento em pequenas parcelas que se arrastavam até o dia do salário. Esse tipo de venda já era feita desde os anos em que Samuel era mascate.

Anotava-se os valores em cadernos com data para cobrança. E foi assim que surgiu o carnê Casas Bahia, criando uma carteira de clientes fiéis, que nem sempre tinham crédito no mercado.

Foi dessa prática simples e rústica que as lojas dos Klein saíram na frente da concorrência e cresceram de forma considerável. Foi a primeira loja a colocar o foco no cliente.

Foco no Cliente

Apesar do trabalho do pai Klein, o slogan “Dedicação total a você” ainda não era prática em todas as filiais da loja que a essa altura, em 1970, já contava com sete lojas.

O negócio cresceu, e a caderneta de prestações foi ficando pequena para a quantidade de clientes que as lojas possuíam em sua carteira.

Por isso, a família contratou a Intervest que tinha como proposta elaborar e controlar os carnês de cobrança.

Enquanto isso, Sr. Klein ensinava aos filhos como investigar o crédito da clientela. No primeiro momento, apertava-lhe a mão e dizia acreditar nas informações passadas por ele como verdadeiras, mas fazia perguntas mais aprofundadas para verificar se eram realmente confiáveis.

Em 1971, o negócio ganhava mais uma marca, a primeira loja na cidade de São Paulo, em um bairro elegante, Pinheiros.

Pouco tempo depois, em 1972, chegou ao litoral paulista, mais precisamente à cidade de Santos.

Ao longo dos anos, as Casas Bahia foram comprando lojas menores e, com isso, acelerando o crescimento.

Em 1980, o grupo comprava 25 lojas da rede Columbia e 35 da Tamakavi. Também comprou a fábrica de móveis Bartira e Bela Vista.

Junto com esse crescimento vieram também consumidores mais exigentes, que deixavam de pagar a prestação dos móveis à medida que eles quebravam e apresentavam defeitos.

Diante disso, a empresa passou a vender produtos de marca e com maior qualidade, além de uma diversidade de materiais, que extrapolavam o eletrodoméstico e os setores de cama, mesa e banho.

Trajetória de Michael Klein

Entre a negociação com a Via Varejo e o desfecho mal sucedido da transação em que perdeu o comando da empresa da família, Michael foi se virando como podia.

Com as aeronaves da megaempresa, criou a CB Air, investindo na gestão de hangares e no fracionamento de aeronaves para o setor executivo.

Depois disso, Michael comprou a Global Aviation, criando a Icon Aviation, e agregou o Morro Vermelho ao seu grupo. Em 2002, a empresa contava com 19 aeronaves e já tinha acesso ao aeroporto de Congonhas-Santos Dumont.

Também investiu na CB Motors, que possui concessionária de veículos Mercedes-Benz, que se localiza no interior de São Paulo.

Mas foi em 2019 que surgiu a oportunidade que Michael esperava, o retorno da sua família ao mercado varejista.

Klein agiu como seu pai e esperou o momento certo para comprar de volta a empresa da família e com desconto. Isso aconteceu quando o grupo Pão de Açúcar resolveu colocar à disposição os pouco mais de 32% que ainda possuía na companhia.

Preparado para gastar até meio milhão de reais, usou apenas R$ 100 milhões para se tornar o acionista majoritário do grupo com 40% dos papéis. O restante ficou distribuído entres os outros.

De quebra, ele trouxe consigo fundos importantes: Squadra, Kapitalo, Truxt, JGP e a XP Asset.

O essencial, no entanto, era ter o controle do negócio da família, da empresa feita por seu pai a muito suor e trabalho.

Mudanças de gestão

Era as Casas Bahia de volta ao seio da família Klein. Assim que assumiu, ele fez várias mudanças de gestão, incluindo a volta de Roberto Fulcherberguer ao cargo de presidente, assim como nomes da concorrência, como Abel Ornelas, ex-diretor da Magazine Luiza, e Augusto França Leme da Whirlpool. Michael assumiu a presidência do conselho administrativo até que passou para seu filho Raphael, com quem continua até hoje.

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