Economia
Com menos incentivo a acionistas e impostos menores, empresas podem reinvestir melhor
Análise da Rico Investimentos
Com menos incentivos para remunerar acionistas e pagando menos impostos, as empresas têm potencial para investir mais no próprio negócio.
A afirmação é da Paula Zogbi e Rachel de Sá, especialistas da Rico Investimentos, em relatório denominado insight.
No documento, as analistas elencam que esse investimento tende a melhorar a rentabilidade e, no médio ou longo prazo, valorizar as ações pela lógica do preço justo.
Também dizem que, para investidores de longo prazo, que investem com base no fundamento das empresas, não há motivo para preocupação.
A fala delas diz respeito ao movimento do governo que pretende implementar sua reforma tributária, que mexe no rendimento dos acionistas, bem como na tabela do imposto de renda.
Isso porque na última nesta sexta-feira (25) o governo enviou a referida proposta. Nela, a equipe econômica mexe com o IRPF e IRPJ para poder aumentar a faixa de isenção do imposto para mais de 5,6 milhões de pessoas.
Empresas – Investimentos
Ainda de acordo com elas, a proposta enviada essa semana pelo Executivo é o que o governo chamou de “Segunda Fase” da Reforma Tributária.
Trata-se daquela que abarca impostos que incidem sobre a renda, com o objetivo de reduzir a tributação sobre a renda do trabalho, em detrimento da tributação sobre o rendimento do capital.
“Ou seja, reformar o sistema de modo que trabalhadores paguem relativamente menos impostos sobre seus salários e empresas sobre suas operações produtivas, e a renda obtida por lucros e outros ganhos de capital [como investimentos] seja mais tributada”, disseram.
E acrescentaram: “no caso dos Fundos de Investimento Immobiliário (FIIs), deverá haver um impacto negativo dessa medida no curto prazo. No entanto, os FIIs listados ainda estão negociando com spreads [diferenciais de juros] bastante atraentes em relação ao Tesouro IPCA de longo prazo.”
Destrinchando a proposta
Paula Zogbi e Rachel de Sá destrincharam a proposta elencando os seguintes fatores: “Começando pelas pessoas físicas, para reduzir o imposto pago por trabalhadores, a proposta inclui o aumento da faixa de isenção de Imposto de Renda pessoa física para até R$ 2.500 (de R$ 1.903 hoje) mensais”.
Assim, disseram, mudando o mínimo para isenção, a base de cobrança do imposto mudaria para todos, de forma escalonada.
“Se a proposta for aprovada como está, quem ganha entre R$ 2.500 e R$ 3.000 passará a pagar 60,5% a menos de IR. Já quem ganha R$ 20.000 por mês, por exemplo, passará a pagar 3,1% menos de imposto”, frisaram.
Já com relação aos investimentos, elas destacaram que no curtíssimo prazo a reação do mercado é “punir” as maiores pagadoras de dividendos nos preços.
“Deixando a poeira baixar, por outro lado, a queda da tributação para empresas em 5 pontos percentuais, conforme indicado pelo governo, pode contrabalancear esse efeito negativo”, ressaltaram.
E acrescentaram que a razão da redução do imposto de renda para a pessoa jurídica é incentivar o investimento produtivo.
“Com menos incentivos para remunerar os acionistas e pagando menos impostos, as empresas têm potencial para investir mais no próprio negócio. Esse investimento tende a melhorar a rentabilidade e, no médio ou longo prazo, valorizar as ações pela lógica do preço justo. Portanto, para investidores de longo prazo, que investem com base no fundamento das empresas, não há motivo para preocupação”, disseram.
Ainda de acordo com elas, para as empresas a ideia do ministério da Economia também é reduzir a tributação em 5 pontos percentuais, caindo de 25% para 22,5% em 2022, e para 20% em 2023.
“A ideia por trás dessa redução é que empresas paguem menos impostos sobre suas operações, e possam investir mais em ganhar eficiência, contratar mais pessoas, obter novas tecnologias… ou seja, serem mais produtivas e contribuindo mais para o crescimento econômico.”
Perda de arrecadação
Porém, para compensar essa perda de arrecadação, visto que as empresas e pessoas estarão pagando menos impostos, o governo propôs a volta da tributação de lucros e dividendos que as empresas pagam aos seus acionistas como remuneração – desde 1996, isentos de imposto no Brasil.
“A proposta também inclui mudanças para tributação de investimentos, com o objetivo de equalizar o que existe e diminuir distorções do sistema atual, como o fato de que investidores que não podem deixar o capital investido por muito tempo, acabam pagando relativamente mais impostos – no atual modo de escalonamento”, informaram.
E frisaram: “por enquanto, essa é apenas uma proposta. Isso significa que o texto ainda pode sofrer alterações e ajustes durante todo o processo de aprovação, até que chegue em sua forma final.”

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