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Atitude racista finda contrato milionário entre duas empresas

Em uma chamada de vídeo para falar sobre a revisão do contrato, o diretor técnico da Proz Educação, Juliano Pereira dos Santos, de 37 anos, afirmou ter sido chamado de “negão”.

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A Oracle, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, está sendo alvo de uma ação judicial após um contrato para implementar seu software no valor de R$ 1 milhão ter sido encerrado por conta de uma denúncia de racismo, que envolve uma fornecedora homologada de seus serviços e um dos clientes desta prestadora.

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Em uma chamada de vídeo para falar sobre a revisão do contrato, o diretor técnico da Proz Educação, Juliano Pereira dos Santos, de 37 anos, afirmou ter sido chamado de “negão” por Matheus Mason Adorno, representante da Optat Consulting. Por afirmar que a colocação foi racista, o executivo entrou com processos na justiça.

O primeiro deles foi aberto na sexta-feira, 24 de junho, contra Matheus, na comarca de Campinas, em São Paulo. Já o segundo foi contra a Oracle do Brasil Sistemas LTDA, na segunda-feira, 27 de junho, no Foro Regional de Santo Amaro, na capital paulista. Juliano informou que a multinacional foi tolerante com a postura de Matheus durante e após a reunião. O acontecido findou um episódio de parceria entre Proz e Optat, que visavam implementar um software de gestão financeira na nuvem da Oracle.

Com orçamento de R$ 1 milhão, o projeto foi repleto de trocas mútuas de acusações, uma verdadeira guerra de notificações extrajudiciais, e agora termina em duas ações indenizatórias por danos morais no valor aproximado de R$ 50 mil cada.

Juliano relatou que, após cerca de seis meses de trabalho em conjunto, o projeto não estava mais andando e apresentava erros considerados básicos na implementação por parte da Optat. Reconhecendo que a parte da Proz tinha também sua parcela de responsabilidade, ele informou que a empresa estava disposta a arcar com a parte do prejuízo para poder “recomeçar do zero”. Durante um encontro em outubro de 2021, a Optat fez a proposta de cobrar R$ 230 mil para refazer o trabalho que demandaria mais ou menos 1800 horas.

O executivo da Proz não gostou e esperava que a Optat bancasse pelo menos metade do prejuízo, porque, por sua vez, a implementação inicial levaria somente 200 horas. Sem obter sucesso, ele disse que havia indicado a Optat para outras empresas e diante da ocasião, perdeu a confiança na parceria. “Como foi dito por eles que não iam ajudar, eu falei então: ‘Poxa, eu expus meu nome assegurando o trabalho de vocês. Não seria melhor alertarmos as empresas sobre o que está acontecendo conosco?’”, e a resposta de Matheus foi a seguinte: “Aí não negão, aí você quer me f…”.

Até o momento da conversa, os dois só haviam conversado uma vez. Para Juliano, o tratamento vindo de uma pessoa que ele mal conhecia e durante uma reunião de trabalho só tinha uma explicação: Racismo. “A minha reação foi explosiva, eu disse pra ele: ‘Negão o c…’, informei que não tinha desculpa e que não faço negócios com racistas, que aquilo era crime e que não ia ficar assim”, relatou.

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