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Biografia: Paulo Guedes

Conheça a biografia de Paulo Guedes, o ‘superministro’ da economia do Governo Bolsonaro.

Perfil de Paulo Guedes

Nome completo: Paulo Roberto Nunes Guedes
Ocupação: Economista e ministro
Local de nascimento: Rio de Janeiro
Ano de nascimento: 1949

Paulo Guedes é um dos maiores defensores do liberalismo no Brasil, sendo um crítico ávido sobre o tamanho do Estado e sua dívida pública.

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Atualmente, Guedes é ministro da Economia de Jair Bolsonaro, e a sua atuação traz ideia de reformas liberais no ministério mais poderoso do Brasil.

Continue a leitura do artigo e conheça a trajetória de Paulo Guedes e seus principais desafios como ministro.

Quem é Paulo Guedes

Paulo Roberto Nunes Guedes é um carioca nascido em 1949, mas que passou a sua infância e adolescência em Belo Horizonte.

A sua mãe era uma servidora do Instituto de Resseguros do Brasil e o seu pai um representante comercial que vendia material escolar.

No início da vida acadêmica, Paulo Guedes estudou no Colégio Militar de Belo Horizonte, tendo como destaque a sua habilidade com a bola, espírito de competitividade e pavio curto.

Inclusive, esse temperamento não ficou para trás, pois, ainda como ministro da economia, Guedes mantém comentários ácidos e humor estourado.

Com relação a sua filosofia política, Paulo Guedes aprendeu com grandes nomes como Milton Friedman e outros vencedores do Nobel de Economia.

Diante desses conhecimentos, Guedes se converteu ao liberalismo e partiu para Chile em 1980, pois o país estava passando por reformas econômicas comandadas pelos Chicago Boys, durante a ditadura de Pinochet.

Com essa experiência, Guedes levou consigo o sonho de realizar, no Brasil, reformas bastante semelhantes às propostas dos Chicago Boys. Que, posteriormente, a primeira-ministra Margaret Thatcher adotou no Reino Unido.

Porém, a ideia só se tornou, parcialmente real, em 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro na presidência do Brasil.

Formação

Paulo Guedes cursou economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e realizou o seu mestrado na Fundação Getúlio Vargas.

Foi no Rio de Janeiro, que Paulo Guedes conheceu o ultraliberalismo, uma filosofia política que seguia as ideias de Paul Samuelson.

No neo keynesianismo (apelido dado por Samuelson), ocorre uma maior intervenção do estado na economia para corrigir distorções do capitalismo.

Na verdade, essa foi somente uma semente, pois a conversão de Guedes veio quando ele foi aprovado na Universidade de Chicago para cursar doutorado.

Vale lembrar que essa instituição é o centro global do estudo do liberalismo econômico.

Voando alto, Guedes partiu para a cidade norte-americana com apoio de uma bolsa de estudos do CNPq no valor de US$ 2.330 mensais, auxílio da FGV e da própria Universidade de Chicago.

Nos quatro anos seguintes, de 1974 a 1978, Guedes teve aulas com gurus liberais como Milton Friedman (Nobel 1976), Gary Becker (Nobel 1992), Robert Lucas Jr. (Nobel 1995) e Thomas Sargent (Nobel 2011).

Nessa experiência, Guedes moldou sua forma de pensar e trouxe para o atual governo o mantra que sempre repetiu: é preciso reduzir o Estado e os gastos públicos.

Retorno ao Brasil

Ao retornar para o Brasil no ano de 1979, Guedes teve suas expectativas frustradas, pois suas esperanças sobre a sua carreira acadêmica foram jogados por terra.

Inicialmente, a ideia era se tornar professor em tempo integral, entretanto, nenhuma instituição quis contratá-lo.

Essa negativa ocorreu, pois as universidades da época eram mais conservadoras, formadas por grupos fechados.

Mesmo assim, Guedes conseguiu vagas de tempo parcial na PUC-Rio, FGV e no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

O convite para o Chile

No ano seguinte, em 1980, Guedes recebeu um convite para ser professor da Universidade do Chile. Isto é, proposta vista como irrecusável por ele.

Muitos fatores colaboraram para a aceitação, entre eles, o salário de cerca de US$ 10 mil mensais e a possibilidade de acompanhar na prática a implantação das transformações econômicas liberais.

Naquela época, o Chile era comandado pela ditadura de Augusto Pinochet, tendo os Chicago Boys conduzindo uma série de reformas econômicas.

Entre elas a redução do gasto fiscal, privatizações, capitalização para a Previdência, reforma tributária, trabalhista e desregulação da economia.

Entretanto, sua estadia no exterior durou somente 6 meses, pois Guedes se deparou com agentes da polícia secreta vasculhando o seu apartamento.

Além disso, naquela mesma época, ocorreu um terremoto que assustou sua esposa, Cristina, grávida de Paula, sendo outro fator decisivo para o retorno ao Brasil.

Com relação ao tempo de Guedes no Chile, muitos criticaram a decisão, entretanto, o ministro sempre afirma que não tinha ligação com o regime local.

Funcex, Ibmec e o Pactual

Retornando ao Brasil, Guedes se instalou no Rio de Janeiro e passou a trabalhar na Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Em seguida, o economista recebeu um convite de Castello Branco para assumir uma diretoria no Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec).

Durante a sua atuação no Ibmec, atuou na ampliação da conversão do instituto em um centro de educação.

Com isso, foi feito o primeiro MBA executivo em finanças do país, curso que fez a Ibmec entrar em uma fase de forte crescimento e expansão nacional.

Já em 1983, Luiz Cezar Fernandes convidou Guedes para montar o banco Pactual, se tornando estrategista-chefe, atuando na escrita de relatórios econômicos.

Ideais de Paulo Guedes

Os relatórios econômicos de Guedes traziam a sua acidez nas palavras, com duras críticas às políticas econômicas do país.

Por exemplo, em seus textos, Paulo Guedes acreditava no fracasso do controle de preços e criticava a falta de ajuste fiscal para debelar a inflação.

Inclusive, em meados dos anos 80, a inflação atingiu picos inéditos no país.

Muitos assuntos se relacionaram em seus relatórios, entre eles, Cruzado, Bresser-Pereira, Fernando Collor e o Real.

De acordo com ele, nenhum plano poderia atingir o sucesso se não houvesse o controle nas contas públicas.

Afinal, na realidade em que o país estava, tentar controlar a economia pelos preços ou o câmbio já não era suficiente.

Vale lembrar que Guedes era um apoiador assíduo dos Chicago Boys e suas filosofias liberais.

Com isso, ideais como redução do tamanho do Estado com a venda de estatais, controle das contas públicas e redução das barreiras para o investimento privado com capital nacional e internacional são questões que ele apoiou.

Início da trajetória na política

A forte atuação de Paulo Guedes nos debates econômicos nacionais fez com que o economista passasse por uma análise para ocupar algum cargo no governo federal.

As pessoas viam a opinião de Guedes em diversos locais, sejam em seus boletins do Pactual, palestras, colunas em jornais e revistas, Ibmec ou no Instituto Millenium.

Com isso, Guedes recebeu o convite duas vezes para integrar a diretoria do Banco Central do Brasil.

O primeiro convite veio em 1984, a pedido de Delfim Netto, o ministro do Planejamento da época.

Entretanto, Guedes negou o convite, pensando na possibilidade de ser uma armadilha, afinal, ele era um grande crítico da política econômica do governo.

Em 1985 veio o segundo convite, desta vez no governo de Tancredo Neves, mas Guedes voltou a recusar.

Cinco anos depois, com Collor na presidência, a ministra Zélia Cardoso de Mello convidou Guedes para participar da equipe econômica, mas recebeu uma negativa como resposta.

Em 2015, o desejo de participar da política nacional surgiu em Guedes e ocorreu justamente no governo de Dilma Rousseff.

Contudo, em uma conversa de mais de quatro horas com a então presidente, Guedes terminou sem convite para assumir o ministério ou outra posição no governo.

Depois dessa curiosa reunião, Guedes teve a certeza de que a inflação iria disparar.

Isso porque ele percebeu que o governo da época não trazia sinais de controle das contas públicas.

A previsão foi certeira, pois o IPCA superou os 10% ao ano com a economia sob o comando de Dilma, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini.

Desafios de Paulo Guedes como ministro

Paulo Guedes e Bolsonaro

Presidente Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes

Tendo em vista a grande importância de Paulo Guedes durante a campanha de 2018, da chapa Bolsonaro-Mourão, Guedes recebeu o convite para cargos de suma importância no governo.

Guedes se tornou o “superministro” da Economia, pois acumulava as funções dos extintos ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio.

Atuando como superministério, Guedes tentou trazer as suas ideias liberais, seguindo o estilo dos ‘Chicago Boys’.

Sua primeira implementação deu certo, com a Reforma da Previdência no primeiro ano de mandato de Bolsonaro.

Entretanto, a reforma tributária não teve sucesso, visto que o Congresso e Bolsonaro não apoiaram a ideia.

Diante disso, a saída para Guedes foi propor a unificação de tributos e a taxação de dividendos com compensação de redução do imposto de renda sobre pessoa jurídica.

Com relação a privatização de estatais, um dos principais pilares do liberalismo, Guedes perdeu as primeiras batalhas.

Isso porque Bolsonaro rejeitou vender o ‘núcleo duro’ da Petrobras, Caixa e Banco do Brasil.

Atualmente, a venda de Eletrobras também enfrenta grande rejeição do Congresso Nacional.

O seu maior desafio atualmente e também o seu maior objeto de desejo é zerar o déficit público.

Entretanto, essa missão é vista como quase impossível. Isso por conta da pandemia do coronavírus, que gerou aumento dos gastos e redução de receitas.

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