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Investimentos

Bolsa ainda é boa opção de investimento, mesmo com incertezas domésticas e externas

Em entrevista exclusiva, Paloma Brum, analista da Toro Investimentos, comenta sobre diversificação entre renda fixa e variável e indica 12 ações que não podem faltar na sua carteira.

Publicado

em

Toro Investimentos

O número de interessados em investir na Bolsa de Valores continua crescendo. Segundo a B3, no final de março a Bolsa atingiu a marca de 3,5 milhões de investidores pessoa física. Esse crescimento reflete, em grande parte, o interesse por investimentos com maior rentabilidade. Até pouco tempo, os investidores estavam confortáveis em manter seus recursos na renda fixa, pois a taxa de juro básica, a Selic, tinha valorização de dois dígitos. No entanto, isso não é mais uma realidade e a baixa remuneração em investimentos mais conversadores – a taxa hoje está em 3,5% ao ano -, tem feito o brasileiro buscar investimento com melhor remuneração.

Vale lembrar que maior rentabilidade anda colada com maior risco, ou seja, investir na Bolsa pode trazer um retorno maior do que manter os recursos em renda fixa, mas é necessário estar ciente que o risco também é maior.

Em entrevista para o site Capitalist, a analista de investimentos da Toro Investimentos Paloma Brum, ressalta que para manter um equilíbrio é necessário manter uma carteira bem
diversificada, entre renda fixa e renda variável, o que tende a minimizar os impactos na rentabilidade dos ativos, em relação às mudanças econômicas que possam surgir.

Ela lembra ainda que além das incertezas internas – política e econômica -, os ativos também reagem aos eventos externos e, entre eles, Paloma chama a atenção para a possível alta da
inflação nos Estados Unidos, que pode levar o Federal Reserve (Fed, banco centros dos EUA) a elevar a taxa de juro do país, tornando os investimentos no país mais atrativos.

Paloma também fez uma seleção das ações que não devem faltar em uma carteira de investimentos, lembrou que a Bolsa não é opção de curto prazo e de que não há idade certa para começar a investir em renda variável.

Leia a seguir a entrevista:

Diante de um cenário doméstico de incertezas políticas e econômicas, qual a melhor maneira de diversificar investimentos para garantir rentabilidade? Por que deve investir na Bolsa?

Primeiro de tudo, o investidor deve separar um montante do capital para formar a sua reserva de emergência, a qual pode ser utilizada caso venha a perder renda, por algum motivo (como a perda do emprego, mudança de nível de renda ou outro imprevisto) num futuro não determinado. Para esta finalidade, investir em ações e ativos prefixados não seria uma boa escolha. O ideal é manter a reserva de emergência em produtos de renda fixa, de menor risco, de forma a preservar este capital e conseguir resgatá-lo de forma rápida.

Uma parte, aquela que o investidor tende a precisar de forma mais imediata, pode ser colocada em Títulos Públicos Federais, no Tesouro SELIC, que apresenta liquidez diária ou em títulos de renda fixa privada, como um CDB, sem prazo mínimo de resgate. Em seguida, para o montante de capital que pode ser investido a longo prazo, o primeiro passo é entender o perfil do investidor (conservador, moderado ou arrojado), assim como a quantidade de capital a ser alocada, e também os critérios de liquidez (facilidade de conversão em moeda de um investimento) que o mesmo demande.

Caso tenha perfil conservador, mais avesso ao risco, o ideal é que o investidor não se aventure pelo universo da renda variável e, então, mantenha investimentos apenas em renda fixa. Ainda
assim, é possível diversificar entre taxas e prazos diferentes, buscando uma melhor rentabilidade do capital.

O investidor pode buscar compor a sua carteira com ativos pós-fixados na SELIC ou no CDI, títulos prefixados (cuja taxa de juros é conhecida no momento da aplicação) e/ou títulos híbridos (com um componente fixo e outro atrelado a algum indicador de inflação, como o IPCA ou o IGP-M). É possível fazer isto diretamente através da aplicação em títulos públicos federais e/ou papéis de renda fixa privada (como CDB, LCI, LCA, LC, CRI, CRA, debêntures etc.) ou por meio de aportes em fundos de investimentos delegando, dessa forma, o capital à gestão de profissionais.

Uma carteira bem diversificada, entre renda fixa e renda variável, tende a minimizar os impactos na rentabilidade dos ativos, em relação às mudanças econômicas que possam surgir. E essa diversificação, da forma proposta, somente será possível para investidores com perfil moderado e agressivo.

Para estes dois perfis, também é importante manter um percentual do capital aplicado em renda fixa, tal como foi apresentado para o perfil conservador. Já o percentual alocado em renda variável pode ser menor ou maior de acordo com o apetite a risco de cada investidor (mais moderado ou mais arrojado).

Nesta parte que será destinada à renda variável, o investidor pode alocar recursos, por exemplo, em ações, FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário), BDRs (títulos que representam ações de empresas listadas no exterior), Fundos de investimentos multimercados e cambiais, ETFs (fundos indexados a algum índice da Bolsa) e, até mesmo, em criptoativos.

Que eventos domésticos e externos podem influenciar a Bolsa ao longo do ano para cima ou para baixo?

O aumento das expectativas de alta na inflação na economia norte-americana contribui para a desvalorização do real, pois esta conjuntura tem fomentado a elevação dos rendimentos dos títulos de longo prazo nos EUA (com vencimento para 10 anos e 30 anos), o que já causa um fluxo de saída de capital de ativos de risco, como é o caso dos mercados de ações e das economias emergentes.

Com isso, os investidores têm deslocado capital dos ativos de risco, como é o caso dos mercados de ações, para ativos de maior segurança, sejam os títulos públicos estadunidenses (cujos rendimentos de longo prazo estão mais altos) ou para os papéis de empresas cíclicas, classificadas como investimento de valor (value investing). Como consequência, as empresas de alto crescimento (classificadas como growth cases), mais alavancadas, como é o caso de diversas companhias de tecnologia e e-commerce, tendem a sofrer maiores descontos na precificação de suas ações.

Isso ocorre porque o crescimento acelerado de negócios com este perfil de growth depende de financiamentos que, por sua vez, tendem a ficar mais caros com juros do Tesouro mais elevados. Além disso, o fluxo de caixa dessas companhias está em grande parte projetado para um futuro mais longínquo. Dessa forma, ao trazê-lo a valor presente, com juros mais altos, as empresas passam a sofrer um maior desconto na sua precificação, o que fortalece a queda nos preços de suas ações.

Por outro lado, as empresas de value tendem a ser beneficiadas neste movimento, pois as suas atividades estão mais relacionadas com o ciclo econômico do momento. Portanto, diante do cenário de recuperação econômica, que tende a ser acelerado com o avanço da vacinação em massa nas grandes economias, as ações de companhias cíclicas, da “velha economia”, que acompanham o crescimento econômico, tendem a serem mais buscadas, com tendência geral de valorização nos seus preços.

Mais do que isso, o aumento das expectativas de alta na inflação estadunidense pode levar o Federal Reserve (FED, banco centros dos EUA) a subir os juros referenciais de curto prazo antes do que se esperava, o que aumentaria a saída de capital de economias emergentes, como o Brasil, rumo aos títulos públicos americanos, considerados os investimentos de menor risco no mundo, o que, por sua vez, pressionaria ainda mais o nosso câmbio e demandaria uma alta mais acelerada da SELIC.

Com juros mais altos no Brasil, o nosso mercado de ações pode sofrer maiores ajustes, embora a SELIC ainda tenda a se apresentar num patamar historicamente mais baixo, o que, por outro lado, é um fator que favorece o apetite ao risco e, portanto, beneficia os investimentos em Bolsa na busca por melhores rendimentos.

Além disso, fatores domésticos contribuem para a formação de uma pressão inflacionária, principalmente no que tange à desvalorização do real face ao dólar em decorrência de um risco país mais elevado. Isto ocorre como reflexo da dificuldade de endereçamento do problema fiscal no Brasil, enquanto os juros dos títulos públicos federais, ainda baixos, acabam tornando os papéis do Tesouro menos atrativos face ao nível de risco mais alto, incentivando a saída de capital da nossa economia, um movimento que deprecia mais o real, aumentando a inflação.

Por estas razões, podemos esperar uma política monetária contracionista em 2021 no Brasil, ainda que isso não signifique a retomada de juros num patamar tão elevado como já tivemos em outros momentos, desde que os juros americanos se mantenham moderadamente baixos (o que é bastante provável) e desde que consigamos avançar bem nas pautas econômicas que podem nos ajudar a ter uma melhor trajetória fiscal no Brasil.

Ainda é um bom momento para investir na Bolsa?

Sim, sempre é um bom momento para investir na Bolsa. O que muda é a escolha dos ativos para se investir em um dado momento, pois é importante avaliar e encontrar aqueles ativos

que estão descontados, ou seja, que estão sendo negociados a preços menores do que aquilo que acreditamos que realmente valem.

Quais ações/setores não devem faltar em minha carteira de investimentos?

Dentro de uma carteira de ações, a sugestão é que o investidor componha um portfólio com pelo menos de 5 a 10 empresas diferentes. Quanto mais diversas as empresas e os setores que se investe, melhor. Um exemplo é investir em empresas com receitas dolarizadas e outras com maior exposição ao mercado nacional. Com isso, os riscos de mercado são minimizados e diminui-se a chance de que uma única alocação comprometa a rentabilidade de toda a carteira.

Reuni algumas das ações que podem ser interessantes para se comprar para longo prazo, que apresentam histórico de pagamento de dividendos nos últimos anos e que, além disso, ainda valem a entrada neste momento. Mas faço a ressalva de que, a carteira de investimentos deve ser frequentemente reavaliada, pois não existe ativo de renda variável que garanta a sua rentabilidade ao longo do tempo.

  1. B3 (B3SA3)

A B3 é uma das maiores bolsas de valores do mundo, a maior da América Latina, além de ser a única em operação no Brasil, o que a faz desfrutar de uma posição monopolista no País. Dessa forma, a B3 apresenta altas barreiras de entrada no seu setor de atuação em termos tecnológicos, operacionais e, especialmente, regulatórios.

O atual cenário de juros reais negativos em conjunto com uma perspectiva futura de juros baixos, nos faz acreditar que a empresa deva continuar se beneficiando desse movimento, principalmente, pelo aumento do número de investidores na Bolsa em conjunto, inclusive com uma maior atratividade para as companhias buscarem recursos via mercado de capitais.

Em adição, a B3 apresenta boa rentabilidade, margens altas e alta eficiência operacional, além de ser uma boa pagadora de dividendos para os seus acionistas. Pela boa perspectiva presente e futura para a companhia, recomendamos compra das ações B3SA3 para o longo prazo, com preço-alvo em R$ 77,00.

  1. Bradesco (BBDC4)

O Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil e possui uma ampla rede de agências e produtos, o que lhe permite abranger uma gama de clientes diversificada. A instituição também tem posição de destaque em outros segmentos que atua, destacando-se como um dos maiores players brasileiros nos ramos de seguros, previdência complementar, leasing, saúde suplementar e capitalização.

O Banco também está ampliando seu processo de digitalização, buscando a redução de agências físicas e a melhor experiência para o cliente, através de um atendimento mais eficiente. Apesar do momento desafiador, a aquisição do BAC Florida Bank, visando o segmento de alta renda, a disciplina no controle dos gastos e a expansão para os meios digitais favorecem o resultado do Bradesco. O Banco ainda apresenta um bom histórico no pagamento de proventos. Desta forma, consideramos que as ações BBDC4 merecem um lugar na carteira de longo prazo dos investidores, com preço alvo em R$ 32,00.

  1. Cyrela (CYRE3)

A Cyrela é uma das maiores incorporadoras do País, com atuação no segmento de alta renda e luxo. Presente em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal, a empresa atua em todas as etapas do negócio e, além disso, controla:

  • A Cyrela Urbanismo, de projetos completos para classe média,
  • A Living, do segmento super econômico,
  • E a Vivaz, que opera em parceria com o programa Minha Casa Minha Vida.

Por ser focada nos segmentos de alto e médio padrão, que não são tão dependentes das condições de financiamento e do crescimento da economia brasileira, que atualmente está comprometido devido aos efeitos da pandemia, acreditamos que as ações CYRE3 se configuram como uma boa oportunidade, além de estarem bem descontadas. O preço-alvo é nos R$ 32,00.

  1. Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú Unibanco vem demonstrando sua adaptabilidade à digitalização do mercado financeiro, tornando-se competitivo frente aos bancos digitais e às fintechs. Esse movimento é refletido no fechamento de algumas agências físicas e nos investimentos em melhorias tecnológicas. No curto prazo, o cenário é desafiador, devido à imprecisão em relação à recuperação econômica e à incerteza sobre a questão fiscal no País.

Apesar disso, as perspectivas futuras para o Itaú são positivas, em função dos bons fundamentos de gestão e da disciplina no controle dos custos. Além de ainda apresentarem uma atrativa taxa de dividendos, as ações ITUB4 se encontram bastante descontadas e podem apresentar boa performance diante de uma aceleração no ritmo de recuperação econômica do Brasil. Nosso preço-alvo para as ações do Itaú Unibanco está no patamar de R$ 42,00.

  1. Lojas Renner (LREN3)

Lojas Renner é uma das maiores varejistas de moda do País em faturamento, que conta com mais de 500 lojas em operação, entre Lojas Renner, Camicado e Youcom, com presença em todo o País. Considerada uma das empresas mais bem geridas da Bolsa brasileira, a companhia é a nossa favorita no segmento de moda, por ter exposição à clientela de classes A e B, cujo consumo é mais resiliente em cenários de crise.

Lojas Renner apresenta os melhores indicadores de rentabilidade face a outras empresas do mesmo setor e sua eficiência operacional se destaca, como a necessidade de capital de giro e das vendas, o que reflete a assertividade na composição dos estoques. Apesar de todo o impacto da pandemia de coronavírus, avaliamos que a empresa continuará com seus números fortes. A companhia vem focando cada vez mais nas suas operações online, que tiveram forte crescimento nos últimos trimestres. Desta forma, recomendamos compra de LREN3, com preço-alvo em R$ 52,10.

  1. MRV Engenharia (MRVE3)

A MRV Engenharia é a maior incorporadora e construtora da América Latina no segmento de Empreendimentos Residenciais Populares. A companhia desfruta de boa gestão, o que se reflete numa contínua evolução dos seus indicadores. Na busca por modelos de negócios complementares, estratégia que envolve também a internacionalização, a MRV fez a aquisição de 51% da sua coirmã americana, a AHS Residential.

A adquirida atua como incorporadora, construtora e administradora de aluguéis residenciais, o que abrange a gestão de 2 mil imóveis por ano, com operação atualmente concentrada no sul da Flórida. O objetivo é fazer a expansão do negócio nos EUA, onde existe excesso de demanda. A lei dos distratos também auxilia as companhias do setor, dando maior previsibilidade contratual. Os fatores que fazem o nosso time de analistas de investimentos ver com bons olhos o futuro do setor de construção civil no País são:

  • o aumento dos lançamentos por boa parte das construtoras, queda nas taxas de vacância.
  • aumento no número de vendas e redução dos estoques.
  • cenário de juros baixos, que favorece a contratação de financiamento imobiliário.
  • além da perspectiva de retomada da economia brasileira pós-pandemia.

Por isso, acreditamos que a MRV está bem preparada para aproveitar esse momento do mercado que está por vir. Nosso preço-alvo para as ações MRVE3 é de R$ 30,00.

  1. Sanepar (SAPR11)

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é considerada uma das maiores empresas em operação no setor, que tem grande foco de atuação em seu Estado, onde disponibiliza tubulações para distribuição de água potável e coleta de esgoto. Na área de resíduos sólidos, a Empresa opera aterros sanitários em Apucarana, Cornélio Procópio e Cianorte, atendendo no total sete municípios. Em 2020, a Sanepar enfrentou desafios relacionados à crise hídrica vivenciada no Estado do Paraná, sendo necessário impor medidas de racionamento ao consumo de água.

Além disso, o seu reajuste tarifário anual foi temporariamente suspenso pela AGEPAR (Agência Reguladora do Paraná), devido aos efeitos econômicos gerados pela pandemia de Covid-19. Para 2021, o reajuste e a revisão tarifária devem beneficiar as companhias do setor de saneamento, gerando um ponto de inflexão ao longo do ano. Além disso, após os efeitos adversos provocados pela pandemia de Covid-19, esperamos que ocorra a recuperação dos volumes consumidos, além de uma possível queda no nível de inadimplência.

Dessa forma, apesar dos desafios enfrentados no curto prazo, acreditamos que a Sanepar possui uma boa gestão, além de atuar em uma região nobre do Brasil. Sua inclinação para investimentos sustentáveis e ecologicamente corretos e seu posicionamento como uma das principais atuantes no segmento de saneamento básico também são considerados fatores positivos. Dessa forma, recomendamos a aquisição do ativo SAPR11 para o longo prazo, com preço-alvo em R$ 39,00.

  1. Vivo Telefônica (VIVT3)

A Telefônica Brasil (Vivo) tem mostrado resiliência em seus resultados, com expansão de sua base de clientes e ganho de market share no segmento de telefonia móvel. Além disso, a companhia vende serviços que podem ser considerados quase essenciais, o que a protege de uma queda mais forte na demanda devido a um cenário de crise econômica. Do ponto de vista operacional, a Vivo apresenta posição de caixa confortável e fluxo de caixa estável.

Esses fatores permitem que a Empresa seja bastante resiliente, além de possibilitar um pagamento elevado de dividendos. Por estes fatores, acreditamos que vale ter ações VIVT3 para o longo prazo, com preço-alvo em R$50,00.

  1. Totvs (TOTS3)

Além de ser líder no mercado de sistemas de gestão empresarial, a Totvs possui atuação diversificada entre diversos segmentos econômicos, o que a protege em parte diante de cenários de crise da economia. Suas vendas são compostas em sua maioria por clientes de maior porte, o que contribui positivamente para o ticket médio mensal. A companhia também se destaca pelas ações na melhoria operacional para redução de custos e despesas, enquanto tem realizado um projeto continuado de expansão de seus negócios.

Dessa forma, ela busca atender outros mercados, o que pode ser bastante impulsionado pela captação de R$1,06 bilhão, possibilitando maior leque de aquisições, parcerias e investimentos em soluções. Estes são fatores que colocam a Totvs em uma posição favorável para os próximos anos e, portanto, recomendamos compra com o preço-alvo em R$42,00.

  1. ISA CTEEP (TRPL4)

Dentro do setor elétrico, o segmento de transmissão é pouco impactado pelos riscos hidrológicos e pelas variações de preço. Esse fato leva a uma vantagem comparativa para a ISA CTEEP frente às demais companhias, já que ela atua somente neste segmento. Outro ponto de resiliência é a forma com a qual são remuneradas, via RAP (Receita Anual Permitida), a parcela da receita que as transmissoras recebem por sua disponibilidade de serviço e não pelo quanto de energia elétrica transmitem. Vale destacar que a ISA CTEEP é a segunda maior empresa em termos de Receita Anual Permitida no Brasil.

Os resultados da ISA CTEEP se mostram bastante resilientes. Sua geração de caixa é alta e bastante previsível, além disso, ela possui margens elevadas. Outra fonte de faturamento são as operações de manutenção, reajustadas pela inflação e o Governo arca com os custos das concessões. Os ativos da Companhia estão distribuídos em várias regiões do País, têm retorno bem atrativo e a ISA CTEEP continua se expandindo.

A Empresa também segue uma linha de distribuição de dividendos consideravelmente alta e apresenta uma boa governança corporativa. Por fim, entendemos que o preço das ações está descontado, mas não observamos na mesma proporção uma piora nos resultados operacionais da ISA CTEEP, o que nos leva a sustentar a recomendação de compra para as ações TRPL4, com preço-alvo em R$30,00.

  1. Vale (VALE3)

A presença global da Vale, com manutenção de operações de extração em vários continentes, permite a redução de risco geográfico. Além disso, gostamos bastante da geração de caixa da Companhia, o que contribui para a redução significativa da sua dívida líquida. Com a redução da sua alavancagem, a Mineradora passa a ter uma situação mais confortável para alocar em CAPEX destinado a formas alternativas de barragens.

Outro ponto de destaque que beneficia as vendas da Vale consiste no programa de estímulo ao crédito na China, que tem fomentado os setores de infraestrutura e construção civil, o que, em conjunto com os indicadores positivos de atividade econômica no País, fomenta a demanda por minério de ferro, bem como favorece o aumento de preços da commodity. A Empresa também se beneficia do dólar num patamar mais elevado face ao real. Devido a estes aspectos, consideramos que as ações VALE3 são uma boa escolha para o longo prazo, com preço-alvo em R$ 120,00.

  1. Weg (WEGE3)

Com clientes ao redor do mundo, a Weg tende a continuar se beneficiando do aquecimento da atividade industrial na China, do avanço da sua participação de mercado nos EUA e no México, da resiliência de equipamentos de ciclo longo e da recuperação da demanda por equipamentos de ciclo curto no exterior.

A companhia também investe em soluções de energia renovável, veículos elétricos, automação e eficiência energética, segmentos que têm crescido de forma expressiva no mundo. Tais fatores nos fazem acreditar no bom desempenho da empresa, bem como na sua capacidade de se favorecer de tendências tecnológicas globais e, por isso, recomendamos a compra de WEGE3, com preço-alvo em R$ 110,00.

Devo pensar na Bolsa como investimento de curto, médio ou longo prazo. Por que?

Sempre pensar na Bolsa com foco no longo prazo: independente do tipo de operações que o investidor escolha fazer (day trade ou modalidades de prazos curto, médio ou longo), é importante ter em vista que o capital investido esteja disponível a longo prazo. Dessa forma, é possível manter a consistência nos investimentos e alcançar melhores resultados ao longo do tempo.

Cite cinco dicas que um investidor iniciante não deve ficar atento ao investir no mercado acionário?

1. Não investir recursos dos quais possa precisar no curto ou médio prazo: caso tenha perfil moderado ou arrojado, o investidor precisa ter renda variável na carteira para conseguir buscar uma rentabilidade mais interessante e condizente com o nível de risco que está disposto a correr. Porém, caso tenha algum desses perfis, mas não tenha o capital disponível para aplicar a longo prazo, o investidor deve ficar de fora da renda variável, o que inclui o mercado de ações.

2. Não investir sem conhecimento: para investir nas mais diversas classes de ativos, o investidor pode contar com a ajuda de profissionais, que estudam o mercado diariamente e disponibilizam relatórios recomendando os melhores produtos para cada perfil. Dessa forma, o investidor minimiza o risco caso não tenha um conhecimento mais amplo do mercado financeiro para fazer suas próprias escolhas.

3. Não esperar que a rentabilidade passada de um produto irá se repetir no futuro: no mercado de ações, o retorno dos investimentos pode variar de forma positiva, negativa ou até mesmo não haver retorno em relação ao capital investido. Por isso, é importante saber que não existe rentabilidade garantida em renda variável, mesmo se o ativo já tiver tido um desempenho notável no passado.

4. Não deixar de reinvestir os proventos (como dividendos, juros etc.) recebidos: ao longo do tempo, o reinvestimento dos proventos tende a fazer uma grande diferença para o crescimento da base de ativos geradores de renda na carteira do investidor. Por isso, é muito importante aplicá-los para aumentar o potencial de ganhos do seu portfólio.

5. Não deixar de acompanhar os seus investimentos: ainda que invista para o longo prazo, o investidor deve monitorar os seus investimentos, pois mudanças podem ser necessárias ao longo do tempo e, portanto, a carteira de investimentos deve ser frequentemente reavaliada. Além disso, sugiro que os investidores realizem aportes recorrentes, ao invés de se concentrarem em comprar todos os ativos em uma única data. Dessa forma, os investidores podem se beneficiar de preços médios melhores ao comprar ativos em datas diferentes.

Devo depositar todas as minhas economias na Bolsa? Por que?

Não. O ideal é investir em Bolsa apenas um percentual do capital para o qual o investidor está disposto a correr riscos, o que pode variar de acordo com o perfil do investidor (mais moderado ou mais arrojado). Já investidores de perfil conservador, não devem investir na Bolsa. Lembrando que, como dito anteriormente, antes de começar a investir na Bolsa, independente do perfil (conservador, moderado ou arrojado), é importante manter uma parte do capital em caráter de reserva de emergência e, para tanto, não se deve aplicá-lo em ativos de renda variável, como é o caso da Bolsa de Valores.

Como devo me organizar financeiramente para garantir uma aposentadoria tranquila?

O primeiro passo é definir o quanto a pessoa deseja receber periodicamente após se aposentar. Em seguida, é necessário fazer alguns cálculos para estimar o quanto ela precisa guardar todo mês ou todo ano para que no futuro tenha um fluxo de caixa para ser utilizado durante a aposentadoria. O terceiro passo consiste em se programar para sempre guardar uma parte de toda renda que obtiver. E o quarto passo é investir esses recursos destinados à aposentadoria de acordo com o nível de risco que o investidor esteja disposto a correr, com o objetivo de fazer crescer o capital guardado ao longo do tempo.

Existe alguma idade ideal para começar a investir na Bolsa?

Não, porque o que deve ser levado em consideração é o perfil de risco do investidor (conservador, moderado ou arrojado) e não a idade. Caso tenha perfil conservador, não recomendo que o investidor se exponha à renda variável, como é o caso dos ativos negociados em Bolsa de Valores. Já se o investidor tiver perfil moderado ou arrojado, recomendo que invista na Bolsa para buscar uma melhor rentabilidade para o seu capital. Inclusive, menores de idade podem investir na Bolsa, basta que o pai, a mãe ou outro responsável legal faça o cadastro para abrir a conta em nome da pessoa com menos de 18 anos.

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