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Economia

Juros altos e inflação elevada favorecem títulos pós-fixados

Caso a meta de inflação seja alterada, porém, a recomendação é para papéis prefixados

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“Mais um ano da renda fixa”. O bordão ecoa entre investidores, animados pela perspectiva de que a taxa básica de juros (Selic) deverá ser mantida no patamar elevado atual (13,75% ao ano) e não cairá ‘tão cedo’, a julgar as últimas sinalizações feitas pelo Banco Central (BC).

Mas qual seria a melhor aplicação, diante desse cenário, marcado por juros persistentemente altos? A resposta não é tão simples, uma vez que há muitas incertezas (sobretudo de natureza fiscal) no horizonte. O conselho ‘de ouro’ é a cautela na hora de investir.

Embora a recomendação seria no sentido de que os investidores priorizem títulos pós-fixados, por conta dos juros altos, por outro lado, a possibilidade de mudanças nas metas da inflação pode aumentar, ainda mais, a atratividade dos títulos prefixados.

Antes de decidir pela melhor alternativa, o investidor precisa conhecer com clareza quais são os tipos de investimento disponíveis. Primeiro, define-se como investimentos de renda fixa aqueles em que a rentabilidade é atrelada a uma taxa de referência, no caso, a Selic. Como essa taxa não é fixa, o investidor só vai saber qual foi o seu rendimento no momento do resgate. No que toca aos investimentos prefixados, porém, a rentabilidade é conhecida pelo investidor, desde a hora em que a compra é efetuada.

Levando em conta que a Selic está hoje em 13,75% ao ano, o investimento em um produto pós-fixado acaba sendo uma boa alternativa, por permitir ao investidor obter um retorno superior a 1% ao mês, mas que pode ser bem superior à variação da inflação – previsão mais recente dá conta de uma alta de 5,77% do IPCA nos últimos 12 meses. Mesmo assim, persiste a dúvida, pois essa rentabilidade pode mudar. Se a Selic for reduzida pelo BC, também cai o rendimento de investimentos pós-fixados atrelados à taxa básica de juros.

Pelas previsões divulgadas, em relatório semanal, pelo BC, a Selic deverá chegar ao final deste ano a 12,75% ao ano, o que determina uma rentabilidade mais baixa para os títulos pós-fixados. Para economistas, a taxa básica de juros deverá ser menor ainda, nos anos seguintes: cai para 10% ao ano em 2024; 9% ao ano, em 2025 e deve ir a 8,5% ao ano, em 2026.

Por simulação, caso os cenários descritos pelo Boletim Focus (consulta semanal às 100 maiores instituições financeiras do país, divulgada pelo BC) se confirme, isso vai representar uma rentabilidade anual de 12,96%, a exemplo do título público Tesouro Prefixado com vencimento para 2026.

Embora as perspectivas pareçam animadoras, todo o cuidado é pouco, pois, para especialistas, não há, ainda, sinais consistentes de queda da inflação, que continua ‘muito alta”, o que mantém ‘elevados’ os juros por tabela. Nem mesmo o recuo do IPCA, em janeiro último, despertou entusiasmo, pois os preços persistem em trajetória acelerada de crescimento. Isso sem contar com o efeito inflacionário da expansão dos gastos públicos.

Sou um profissional de comunicação com especialização em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esportes e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa, mediante o uso de uma linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência social.

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