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Airbnb deve realizar um IPO, mas seu presidente não queria

Brian Chesky colocou os planos de IPO em segundo plano enquanto tentava tornar a companhia uma agência de viagens completa.

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O presidente-executivo da Airbnb, Brian Chesky, evitou por anos a insistência de investidores de uma oferta pública inicial, na esteira de outros unicórnios do Vale do Silício, até ter que ver ações da empresa serem pressionadas pelos efeitos da pandemia de coronavírus.

A Airbnb pretende realizar o IPO na Nasdaq em dezembro, 12 anos depois que Chesky fundou a companhia com os ex-colegas de quarto Joseph Gebbia e Nathan Blecharczyk. A longa jornada até a listagem desapontou muitos investidores e funcionários que esperavam por uma chance de vender seus papeis no mercado acionário.

Executivos, assessores, investidores e funcionários da Airbnb dizem que Chesky colocou os planos de IPO em segundo plano enquanto tentava tornar a companhia uma agência de viagens completa, incluindo “experiências” para que os clientes pudessem participar de atividades de férias como visitas guiadas a atrações turísticas, indicaram entrevistas à Reuters. Ao expandir a aposta financeira nesse sentido, ele abriu mão da lucratividade do Airbnb, de acordo com dados do prospecto do IPO.

Foram anos de pressão de investidores e funcionários, além da deterioração das finanças da empresa durante a pandemia, para que Chesky abandonasse de seus planos de expansão e se comprometesse com o IPO. A Airbnb está buscando uma avaliação de cerca de 30 bilhões de dólares, menos que os 50 bilhões de dólares que executivos de bancos de investimentos disseram a Chesky que a empresa valia se tivesse sido lista há dois anos.

“Chesky não tinha com sonho tornar a Airbnb uma empresa de capital aberto. Isso era parte de um processo de satisfazer todos os envolvidos com a empresa e recompensá-los”, afirmou Ron Conway, fundador da SV Angel e um dos primeiros investidores da Airbnb.

A Airbnb não quis comentar o tema por meio de seus representantes.

A companhia alcançou oficialmente a classificação de “unicórnio” em 2011, quando ultrapassou a avaliação de mercado de 1 bilhão de dólares. Como a companhia captava mais dinheiro com investidores, Chesky ignorava a ideia de listas a Airbnb, e dividia seu tempo entre administrá-la, visitar imóveis e criar experiências para os usuários do site.

“Ele tem uma casa agora, mas por anos ele experimentava um novo Airbnb toda a noite. Ele ficava algumas noites em cada um. No porta-malas do carro dele ficavam todos os seus pertences”, disse Conway.

Tentativas de IPO

Em 2017, Lawrence Tosi, que tinha entrado na empresa como vice-presidente financeiro dois anos antes, saído do grupo de investimentos Blackstone, guiou investidores em uma onda de captação de 1 bilhão de dólares. Segundo fontes ligadas às discussões, sua expectativa era de que uma oferta pública de ações ocorreria nos próximos 12 meses

Foi aí que investidores começaram a ficar frustrados com a falta de comprometimento de Chesky com um IPO da Airbnb.

Tosi começou a conversas com bancos de investimentos sobre um IPO que avaliaria a Airbnb entre 45 bilhões e 50 bilhões de dólares, afirmou uma das fontes. O executivo estava realizado estes encontros em nome de Chesky, disse a fonte, acrescentando que havia pedido a ele para preparar a companhia para uma listagem no primeiro trimestre de 2018.

Foi então que Chesky voltou atrás com o pleno. Ele divulgou uma mensagem classificando a Airbnb como empresa focada em um “horizonte infinito de tempo”, um claro início de que tinha decidido evitar a divulgação de resultados financeiros comum para uma companhia de capital aberto.

O resultado foi uma briga entre Tosi e Chesky, na qual o primeiro argumentou que o futuro da Airbnb está sobre seus negócios principais de aluguel de imóveis para temporadas e viagens de negócios, e ainda que desistir do IPO para expandir a atividade de experiências seria um desperdício de dinheiro. Em 2018, Tosi deixou a empresa.

Pandemia

Chesky seguiu com a perspectiva viva de IPO para os investidores, mas nunca definou cronogramas até setembro de 2019, quando a Airbnb anunciou que faria um IPO em 2020. Ele respondeu à frustração de muitos dos funcionários da empresa, que tinham recebido opções de ações que vencem no início de 2021, disseram as fontes.

Quando o coronavírus impactou a empresa, Chesky voltou com os planos de levantar capital de, mas os aportes anteriores tinham sido realizados sobre perspectivas de rápido crescimento, e não de uma crise. Se a Airbnb já fosse uma empresa de capital aberto, poderia ter captado recursos por meio de uma venda de ações no mercado.

Mas a única alternativa foi dívida, e uma dívida alta. A Airbnb assegurou 2 bilhões de dólares em empréstimos de várias companhias de investimentos, incluindo de Silver Lake e Sixth Street Partners, a uma taxa de juros anual combinada de mais de 9%. Em comparação, a Uber conseguiu financiamento de 1,5 bilhão de dólares em 2018 a uma taxa de 6,2%.

Alguns dos planos grandiosos de Chesky, incluindo programas de televisão e filmes da Airbnb, foram pelos ares assim que a empresa se viu forçada a demitir 20% dos funcionários e a cortar o orçamento de marketing com a chegada da pandemia.

Ele acabou se concentrando em revitalizar o negócio principal da Airbnb de aluguel de apartamentos em cidades para casas que as pessoas podem alugar para terem um lugar para ficarem durante a quarentena. A estratégia funcionou e a Airbnb teve lucro de 219 milhões de dólares no terceiro trimestre.

Mas a empresa nunca teve lucro anual, acumulando resultado negativo de quase 700 milhões de dólares nos primeiros nove meses do ano, bem diferente da performance de dois anos atrás, quando ficou a apenas 17 milhões de dólares de ter resultado positivo.

No final de julho, Chesky concordou com um IPO da Airbnb até o final do ano em uma reunião de conselho da empresa, segundo as fontes.

“Quando a Covid-19 chegou, Chesky teve que reverter uma série de iniciativas que estavam sendo preparadas há três anos. Ele ficou muito impactado com tudo isso”, disse Michael Ovitz, co-fundador da Creative Artists Agency e conselheiro informal de Chesky.

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